Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

Amar
e dizer isto
com a vida

por Giuseppe Caffulli

Entrevista com Irmão Roger, da Comunidade de Taizé

le sempre ensina a escutar e a compreender... São bens preciosos que hoje faltam em muitos casos, também dentro da comunidade cristã e entre as Igrejas, que vivem dolorosas separações. Ele jamais deixou de pregar uma mensagem de paz e de reconciliação aos jovens, ainda que a guerra lhes seja uma opção possível. Opção que, a pretexto de defender a identidade cristã, autoriza-os a usar a arma em lugar do diálogo.

Em Hamburgo, no último mês de dezembro, em meio a dezenas de milhares de jovens convidados a participarem da “Peregrinação de Confiança sobre a Terra” que, há 25 anos, comove os países do mundo, irmão Roger afirmou com firmeza: “Com nossas humildes vidas podemos nos transformar em portadores da paz onde estivermos. Não são só os responsáveis pelas nações que constroem o futuro. Qualquer um pode colaborar para a construção da paz”. Mas, qual é a receita?

“Amar e dizer isso através da própria vida. Quanto mais a gente se aproxima, mais se entende. Então, as separações que dilaceram se afastam”. Paz como partilha, como compreensão das necessidades e dos desejos do outro. Esse é o testemunho que a Comunidade de Taizé “exporta”, no seu peregrinar entre comunidades cristãs do mundo todo.

M.M.: Irmão Roger, o amor e a partilha não correm o risco de ser o consolo dos vencidos ou dos iludidos?

– Respondo com meu testemunho pessoal. A Segunda Guerra Mundial provocou inúmeras lacerações. Eu me perguntava: por que os homens e os cristãos estão tão divididos? Existe um caminho para entender o outro e confiar nele? Um dia, disse para mim mesmo: “Comece por você! Faça um esforço para confiar; não manifeste juízos severos. Preocupe-se em entender o outro e leve-lhe a paz e a alegria. Pronto! Isso pode contribuir para o nascimento de uma nova humanidade”.

M.M.: No final da década de 50, o senhor e os irmãos de Taizé rodaram o mundo, vivendo nos contextos mais pobres e necessitados. Mas não se preocupavam em converter. A presença de vocês nunca foi missionária, no sentido tradicional...

– É nossa vida que pode despertar a fé, a confiança em Deus, ao nosso redor. A bondade do coração nos desperta aos mais miseráveis, aos que sofrem, à dor das crianças. Amar e dizer isso com a própria vida. Quando amamos com a bondade do coração e perdoamos, então descobrimos uma das nascentes da alegria. Como poderíamos viver no Ocidente, se alguns dos nossos não morassem no meio dos mais pobres, ao sul do Equador? A opção pela vida de pobreza de nossos irmãos nos estimula à simplicidade: ser simples na vida cotidiana, na confiança recíproca.

M.M.: Parece fácil. Mas como viver hoje a simplicidade, a alegria e a misericórdia?

– Entre as primeiras palavras de Cristo, encontramos: “Bem-aventurados os simples de coração...”. É isto que torna feliz a existência; é buscar a simplicidade: a simplicidade do coração e da própria vida. Para que uma vida seja bela, não é indispensável ter capacidades extraordinárias ou grandes possibilidades: a humilde dádiva da vida basta para ser feliz. Quando a simplicidade está intimamente ligada à bondade do coração, o ser humano mais desfavorecido também pode criar um espaço de esperança em torno de si.

Nós queremos redescobrir uma oração simples, confiando tudo a Deus e colocando toda a nossa existência nas mãos do Espírito Santo.

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