Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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“A nossa vida – afirmou – era um viajar contínuo, em barco a remo ou à vela, a cavalo, à pé, para visitar comunidades dispersas. Na nossa missão, éramos dois padres: um dos dois viajava durante um mês, depois retornava à casa, enquanto o outro partia. Comíamos quase só farinha de mandioca e peixe. A paróquia era muito extensa: ensinávamos catecismo em 40 escolas, em um território de 40.000 quilômetros quadrados. Vivíamos em uma pobreza que, creio, não havia outra igual. Não tínhamos o que comer; morávamos entre ratos e baratas num quarto de despejo sobre a velha igreja. Tínhamos que consertar o teto da igreja, porque chovia dentro, mas não tínhamos dinheiro. Nosso bispo, dom Aristides Pirovano, nos visitou e nos deu o seu anel episcopal para que o vendêssemos e, assim, consertássemos o teto da igreja. Nada mais ele tinha para nos doar”. Em 1964, Dom Pirovano nomeou-o vigário geral e ecônomo da prelazia. Em 1966, o novo bispo, Dom José Maritano, entregou-lhe a paróquia do município de Mazagão, onde permaneceu dez anos. De 1976 a 1978, padre Ângelo foi reitor do seminário filosófico do Pime em Florença, na Itália, de onde retornou à Amazônia como Conselheiro da Cúria de Macapá. Durante oito anos, organizou e manteve o arquivo. Em 1986, a surdez quase completa obrigou o Instituto a chamá-lo de volta à Itália, para um cargo a que muitos temiam, pois conheciam seu dinamismo e atividade: o cargo de arquivista geral do Pime. “Desenvolveu um trabalho providencial em Roma”, escreveu padre Gheddo, diretor do Ofício histórico do Pime. “Aos 81 anos de idade, trabalhava quase dez horas por dia. Em 1986, o arquivo possuía 493 caixas de documentos (quase 1500 folhas cada uma). Com padre Ângelo, chegou a 1900. Ele escreveu e visitou missionários, criando-lhes a consciência da importância do Arquivo Geral. Hoje, o índice do Arquivo é um volume de mil páginas. Desde 1994, o Ofício histórico do Pime publicou vinte volumes e iniciou uma coleção de Cadernos: o de 2004 é obra do padre Ângelo. Multiplicam-se publicações sobre personagens e a história do Instituto entre dioceses, paróquias, universidades. Ângelo se dedicava ao arquivo com o mesmo empenho que tinha entre os indígenas e ribeirinhos”.
Neste valor, espero que seja enxertado o que fiz e o que fizeram os da minha geração e, por isto, considero válido o meu serviço. Valor no qual temos acreditado e no qual, uns mais, outros menos, fomos marcados e pelo qual muitos morreram. É este valor que pedimos às jovens gerações de missionários”. |
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