Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
por Piero Gheddo
P.G.: Por que os catequistas são tão importantes? – O missionário e o padre local são insuficientes nas vastas missões, com dezenas de povoados e milhares de batizados e de catecúmenos. Os catequistas são as primeiras testemunhas de Cristo e a comissão de frente da pastoral da Igreja: preparação aos sacramentos, como batismo e matrimônio, direção das celebrações de cultos e das liturgias dominicais em locais sem sacerdote. Eles visitam doentes, pessoas em dificuldades e coordenam o auxílio aos mais pobres. E, além disso, são guias e intérpretes dos dialetos locais para os missionários. Onde há um corajoso catequista, a missão floresce: até os protestantes, pagãos e muçulmanos querem seus conselhos. P.G.: A formação dos catequistas é tarefa diocesana? – Sim! Hoje estou na diocese de Maroua, mas, por mais de vinte anos, preparei catequistas na diocese de Yahoua. Ajudei-os esporadicamente em outras dioceses no Chade, sempre nessa função. Repito-lhes freqüentemente: “eu sinto, enquanto falo, que vocês me observam para ver se acredito de verdade, ou não, no que ensino. A mesma coisa acontece quando vocês se dirigem aos seus cristãos ou às pessoas que se preparam ao batismo. Portanto, aprendam que o Evangelho perpassa através da pessoa do catequista”. P.G.: O senhor prepara os catequistas em um lugar definido ou circulando pela missão? – A formação inicial, de dois anos, acontece no centro da diocese. Em seguida, os catequistas voltam para suas paróquias, onde passam a trabalhar. Anualmente, os párocos me chamam para atualizações, através da “semana formativa dos catequistas”. Durante um ano, circulo por umas vinte paróquias. Um padre deveria estar livre para me acompanhar, mas eles não dispõem de tempo. Nas inúmeras “semanas” que já fiz, aprimorei minha técnica. Os párocos percebem que essa “semana” anual proporciona aos catequistas o desejo de ler e de refletir sobre a Palavra de Deus. Temos catequistas maravilhosos, mas, para isto, é necessário um sério trabalho de formação. P.G.: Quem paga as despesas? – As paróquias. E é um problema sério para as que só têm padres africanos. É lamentável que muitos párocos negros, por falta de fundos, não disponham do mínimo para formar catequistas, que têm gastos com viagens, hospedagem e manutenção. Os catequistas não são assalariados, mas recebem ajuda de sua comunidade. Com o auxílio que recebi na Itália, em 2001, ajudei na formação de catequistas em mais de vinte paróquias. Porém, a iniciativa quer também sensibilizar para o trabalho de formação da missão, que me parece muito ignorado. Se você pede ajuda para leprosos ou órfãos, ou para abrir um poço, ela vem com fartura; mas, para formar catequistas ou padres, é escassa. O auxílio material é necessário, mas não basta. Espero que os amigos das missões retomem o verdadeiro espírito missionário e recuperem o entusiasmo pela fé, que nossos catequistas e cristãos têm. Deseja-se a partilha, a compreensão dos problemas das Igrejas nascentes. E, portanto, também cultivar vocações missionárias e voluntárias leigas. |
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