Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
por Ernesto Arosio
Hoje ela brinca, feliz, lá no céu. É o primeiro anjo da Fundação Perrone, em Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife. Sabrina era uma das primeiras crianças assistidas pela Fundação. Uma crise respiratória foi mais forte que ela, deixando a dor para os familiares e os voluntários da entidade, mas que a transformou no seu primeiro anjo. Após sua morte, cresceu o número de voluntários, como multiplicaram-se as crianças portadoras de alguma deficiência, que passaram a ser assistidas por fisioterapeutas. A assistência social e ocupacional também aumentou e, hoje, aproximadamente setenta crianças são acompanhadas pela Fundação, todos os dias, para sua recuperação, a fim de que possam ocupar o seu lugar no mundo. UMA OBRA SAMARITANA A dez mil quilômetros de distância, Michele Perrone, sacerdote e professor, sensibilizou-se pelas dramáticas condições de crianças deficientes, vivendo em favelas ou à beira dos canais poluídos de Recife, e pelo desespero das mães pobres, carentes e, quase sempre, sozinhas e sem recursos, que assistiam, inertes, ao definhamento dos filhos. Pe. Miguel Perrone tomou a decisão de “fazer alguma coisa, pois era impossível ficar indiferente diante desses casos desesperadores”. Ele vendeu seu colégio profissionalizante em Eboli, na Itália e, em 2002, mudou-se para Jaboatão dos Guararapes, onde adquiriu uma casa e a adaptou para as necessidades de terapia. Assim teve início a sua obra.
Hoje, é um centro de tratamento gratuito para crianças pobres com deficiências ou, como ele diz, para crianças com “habilidades diferentes”. Dedicada a Giacomo e Lucia Perrone, seus pais, a Fundação cresceu depressa. Atende crianças na faixa etária de 0-12 anos com problemas neurológicos e comprometimento neuropsicomotor. Paróquias, ambulatórios assistenciais, entidades públicas, encaminham os pequenos pacientes ao centro, após diagnóstico médico. A assistência especializada, de acordo com as necessidades de cada criança, visa a sua inserção social, inspirando confiança às famílias e abrindo perspectivas de futuro melhor, baseado no binômio “Técnica e Amor”. O serviço gratuito, que alivia as famílias, tem por objetivo criar um envolvimento humano e completo de amor, tanto aos assistidos como aos assistentes.
Além da solidariedade e caridade dos especialistas, existe o trabalho voluntário de pessoas que, como o cireneu do Evangelho, ajudam as famílias a carregar sua cruz com alegria. “O verdadeiro voluntariado – afirma Pe. Perrone – ultrapassa todas as fronteiras”. Na base das atividades da Fundação, há, como embasamento indispensável e motivação fundadora, a filosofia da caridade e da fraternidade universais do cristianismo, vividas no respeito à dignidade humana, ainda mais quando ela está ferida. Por isso, o fundador ainda acalenta um sonho: formar uma comunidade de samaritanas, mulheres dedicadas a essa missão, que se fundamenta no amor a Deus e à pessoa humana, especialmente a pobre e doente.
Pe. Perrone já pensa em estruturas mais amplas, em aumentar o número de voluntários e de novos recursos financeiros. Por quê? Porque mais de cinqüenta crianças já estão na lista de espera para serem atendidas, não somente em maneira emergencial, mas em vista da reabilitação plena, tanto quanto possível, e de sua reinserção social. E nada é mais triste e doloroso do que dizer não à mãe que, esperançosa, traz seu filho e implora socorro, uma ajuda para amenizar a dupla ferida: a da criança e a sua. Todos são convidados a ser o bom samaritano que enxerga o outro, que não passa indiferente ao lado do necessitado, mas que se curva sobre ele com compaixão cristã e assume a tarefa de zelar pela humanidade ferida, especialmente quando se trata de crianças carentes. Esta obra samaritana merece uma mão! Que tal a “adoção”, à distância, de uma dessas crianças, através de sua generosidade? COMUNIDADE SAMARITANA por Michele Perrone O objetivo principal desta Fundação é: estar perto das crianças pobres, doentes e necessitadas; ajudar as mães desesperadas, que vivem um drama tremendo, ocasionado pela angústia da solidão e pela falta de perspectivas no futuro de seus filhos. Para realizar este objetivo, a Fundação está desenvolvendo a “Comunidade Samaritana”, formada por jovens mulheres que escolhem dedicar sua vida aos mais necessitados. A Comunidade tem seus alicerces em duas grandes paixões: o amor a Deus e o amor ao ser humano. O fruto da fé é o amor, o fruto do amor é o serviço. A Samaritana enxerga o outro, não passa indiferente, pára, se curva, tem compaixão. Ao entrar nesta família mais ampla, ela passa a fazer parte do objetivo final da Fundação: oferecer “gratuitamente” uma possibilidade de tratamento e de reabilitação às crianças pobres “com habilidades diferentes”. Ela é a protagonista deste projeto de amor: a sua vida muda de perspectiva e adquire sentido!
Isso é gratificante e torna feliz quem, com sua presença, doa aos outros a vontade de viver: ajuda quem, sozinho, nunca conseguirá crescer. Não tem muita importância o que é feito ou oferecido. A Deus importa a quantidade de amor com que fazemos ou oferecemos. Venha! A Fundação lhe oferece uma esperança de vida e fraternidade! Mais
informações da Fundação Giacomo e Lucia Perrone |
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