Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

 

por Hélio Pedroso

política da Etiópia, há mais de trinta anos, se movimenta ao redor da seca, da carestia e da fome. Já em 1973, um jovem jornalista inglês, Dimbley, após ter visitado a Etiópia, descobriu a gravidade da seca que o Imperador Selassie tentava esconder e escreveu que "os etíopes precisavam de comida, remédios, cobertas e isso já". Após trinta anos, o mesmo jornalista voltou à Etiópia e escreveu no The Observer que "a Etiópia precisa de justiça e igualdade e isso já". Além dos péssimos governos, da ditadura, das guerras com a Somália e a Eritréia, existe uma carestia endêmica que, em 1973, matou milhares de etíopes; em 1985 matou outras centenas de milhares e, agora, em 2003, ameaça de morte 14 milhões de pessoas, por falta de água e comida.

Esta falta de água decorre das secas que castigam o país, mas, em boa parte, também de uma política social que pouco se interessa pelas populações pobres. É um círculo vicioso: faltam chuvas, mas o país é rico de água. Faltam investimentos, uma política de saneamento, de abastecimento e social, e as freqüentes guerras transformaram longas faixas de terra em solo árido. A fome, pelas denúncias de observadores internacionais, é mais uma política e um dos pesos para manter o equilíbrio étnico. Isto é, "a fome é um instrumento de poder local" diz Andréa Cairola do "Voluntários do desenvolvimento".


As crianças que todos os dias vêm procurar ajuda

As ajudas internacionais que somam cerca de um bilhão de dólares, como em outros países, se perdem no intricado labirinto burocrático, mas as Ongs presentes na Etiópia, que estão a par da situação e da corrupção, se querem continuar seu trabalho humanitário, devem fazer de conta que nada vêem, nada escutam e nada podem dizer, com medo de retaliações. Um país pobre e faminto, mais pelo jogo de poder interno que por catástrofes naturais.

O governo federal é liderado por tigrinos, a mais poderosa das 80 etnias presentes na Etiópia e ocupa a maioria dos altos cargos do exército que se torna, assim, um instrumento de repressão contra as revoltas populares que pedem alimento, trabalho e mais democracia. Parece que, nos governos periféricos, liderados por outras etnias, seja válido o ditado "quanto pior melhor", para que o povo se revolte contra o governo central. Nessa situação, é o povo que paga com privações e desespero. Dizia uma mulher a um jornalista: "Eu daria até essas últimas roupas que tenho e ficaria nua para conseguir comida para os meus filhos".

Quando o Evangelho é progresso

Entre os institutos missionários que trabalham na Etiópia para amenizar o sofrimento do povo, há também, o das Irmãs Missionárias do Santo Rosário. O trabalho delas é com os pobres, as famílias, os jovens, cuidando, em particular, da saúde. Irmã Maria é parteira na cidade de Wolisso, a 100 quilômetros da capital. Já foi professora do governo, por mais de 17 anos.


Ir. Rosa fiscalizando as construções

Na periferia de Adis Abeba, a capital, vivem irmã Rosa e Elisabeth. Ir. Rosa trabalha com 400 crianças em uma clínica, enquanto ir. Elisabeth atua num programa de desenvolvimento social com mulheres e jovens, favorecendo pequenos créditos que possam gerar atividades lucrativas para as famílias e liberá-las do pesadelo da fome. Sendo o lugar paupérrimo, as irmãs ajudam as crianças até a pagar as taxas escolares, os livros e cadernos para poderem estudar. Outro campo de trabalho é a construção da vida familiar, conscientizando, em particular, as mulheres, as jovens e mães de família para que possam assumir sua independência e fugir da escravidão da miséria que as obriga a se aviltarem para sobreviver.

Missionárias do Santo Rosário


Ir. Rosa com as crianças que todos os dias vêm procurar ajuda

A Congregação das Irmãs Missionárias do Santo Rosário foi fundada em 1924, por dom José Shanahan, missionário espiritano na Nigéria, com o intuito de trabalhar com as mulheres negras do país. A partir daquela data, as irmãs se espalharam em vários países da África e no México. A sede geral está em Debelem, na Irlanda, mas existem casas nos Estados Unidos, Escócia, Inglaterra e, recentemente, no Brasil. A principal finalidade continua sendo o trabalho com mulheres pobres que lutam para manter com dignidade suas famílias. Diante, porém, da situação atual, em que a miséria, às vezes, é causada pelo desemprego, o desafio global das irmãs é o trabalho social: estabelecer projetos na situação em que essas mulheres se encontram, caminhar com o povo sofrido, com presos, doentes, aidéticos desamparados, favelados, etc.

Para conhecer a instituição:
Irmã Helena McCaffrey
Caixa Postal n.º 10052 - Belenzinho
São Paulo - SP - Cep 03014-970 - tel.: (0XX)-11-6695-3764
E-mail: helenmccaffrey@uol.com.br

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