Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

Martirológio
Missionário

da redação

BURUNDI: ASSASSINATO DO NÚNCIO APOSTÓLICO DO VATICANO

o dia 29 de dezembro de 2003, no Burundi, foi assassinado a tiros, o núncio apostólico dom Michael Aidan Courtney, irlandês, conforme anunciou o próprio presidente desse país africano, Lomitien Ndayseye. O representante do papa no Burundi, tentava colaborar na pacificação dessa nação dilacerada por lutas internas. Os tiros foram disparados contra o carro em que o núncio viajava. Ele morreu no hospital, de hemorragia, após ser submetido a uma cirurgia.

“Não foi um acidente, mas um assassinato”, disse o presidente, acrescentando que será aberta uma investigação para determinar os responsáveis, fato difícil no caos em que vive o país. O Burundi está imerso na violência devido ao ódio étnico, desde 1993, quando rebeldes de origem hutu pegaram em armas, depois que militares tutsis assassinaram o presidente de então, o hutu Melchior Ndadaye. Seguiu-se uma matança indiscriminada, em que o fato de pertencer a uma das etnias era morte certa nas mãos dos adversários.

Fala-se de alguns milhões de mortes entre as duas etnias, visto que, desde 1962, quando o país se tornou independente, os massacres se sucedem indiscriminadamente. Embora tenham sido assinados acordos de paz, entre as duas etnias, o grupo rebelde, que se autodenomina Forças de Libertação Nacional, continua a lutar contra o governo tutsi.

MARTIROLÓGIO MISSIONÁRIO

Dom Michael Aidan Courtney foi a última vítima do ano 2003, que somou 29 assassinatos de bispos, padres, religiosos/as, leigos/as e seminaristas, vítimas de ódio religioso ou de latrocínio. A morte de missionários é o preço que a Igreja paga para testemunhar a sua presença de paz, onde mais fervem os ódios religiosos, tribais e injustiças políticas. Quem trabalha pela paz, seja missionário ou leigo, às vezes, se torna o primeiro alvo a ser eliminado, porque incomoda os beligerantes.

Faz parte da missão, porque o missionário não pode se acovardar diante desses fatos e deve levar seus esforços de paz a qualquer nível, desde o diplomático até sua presença pessoal no meio dos conflitos. Não são agentes enviados por potências estrangeiras a outros países, para conseguir hegemonia e interesses econômicos, mas pessoas que acreditam na paz, até quando a realidade extrema sugere o contrário. São fiéis testemunhas do Evangelho que prega a paz, a justiça e a caridade e o testemunham com sua presença física e de amor.

Às vezes, ouve-se alguém perguntar por que morrem tantos missionários e missionárias. É porque eles estão onde é necessário um testemunho de amor, onde este já não existe. Por isso, o martírio não é estranho à missão. Em 2003, 29 missionários foram mortos: 1 arcebispo, 20 sacerdotes, 1 religioso, 3 seminaristas, 2 voluntárias leigas e 2 leigos.

Fonte: Agência de Notícias Fides

PAÍSES DE ORIGEM DOS MÁRTIRES

  • África 11 (5 Rep. Dem. do Congo; 5 Uganda; 1 Quênia)
  • América 8 (5 Colômbia; 2 El Salvador; 1 Guatemala)
  • Europa 7 (3 Itália; 2 Irlanda; 1 Espanha; 1 Alemanha)
  • Ásia 3 (1 Paquistão; 1 Índia; 1 Líbano)

PAÍSES ONDE FORAM MORTOS

  • África 17 (6 Uganda; 5 RD do Congo; 1 Camarões; 1 Burundi;
    1 África do Sul;1 Guiné Equatorial; 1 Somália; 1 Quênia)
  • América 10 (6 Colômbia; 2 El Salvador; 1 Brasil; 1 Guatemala)
  • Ásia 2 (1 Índia; 1 Paquistão)

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