Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

 

Foi encontrado morto, vítima de enfarte, na manhã do dia 9 de setembro, em sua casa natal em Molina, na Itália, onde se encontrava, após ter participado da profissão religiosa de uma irmã de sua diocese. Iria completar 61 anos em dezembro

por Ernesto Arosio

ntrou no seminário de Trento e, em 1964, passou para o Pime, para realizar seu sonho de ser missionário pelo mundo afora. Ordenado em 1968, dedicou seus primeiros quatro anos de sacerdócio ao seminário de formação de aspirantes missionários, em Vigarolo, na Itália. Destinado para o Brasil, em 1972, chegou a Parintins, AM, como coadjutor da paróquia do Sagrado Coração, da qual se tornou, posteriormente, pároco. Em 21 de fevereiro de 1988, foi sagrado bispo coadjutor de Parintins, cujo titular era dom Arcângelo Cerqua, que tinha assumido também a coordenação da Diocese de Manaus após a morte do bispo daquela cidade.

No ano seguinte, assumiu plenamente o governo da Diocese de Parintins e, por cinco anos, caracterizou sua presença pelas viagens ao longo do rio Amazonas, visitando a imensa diocese com sua "voadeira". Em 7 de março de 1993, foi nomeado bispo de Macapá, tornando-se o quarto prelado daquela diocese que cobre todo o território do Estado do Amapá. Os bispos predecessores foram dom Aristides Pirovano, prelado e, em seguida, superior geral do Pime; dom José Maritano (Pime) e dom Luis Soares Vieira, atual bispo de Manaus.

Na nova diocese, dom João construiu a catedral e o prédio para a Rede Vida de Televisão, para cobrir e tele-evangelizar o imenso território que percorria, em todos os sentidos, em suas visitas pastorais.

A FIGURA DO PASTOR

Dom João foi um bispo totalmente voltado à pastoral. A evangelização era sua preocupação e foi o programa que apresentou ao povo do Macapá, em seu discurso de posse: "evangelização com otimismo confiante". Essa paixão está evidenciada no seu brasão episcopal pelo símbolo do barco, que pode representar seja a Igreja seja o povo que lhe foi confiado. Era cioso da sua responsabilidade religiosa que segurava firme sem se envolver ou se deixar envolver em outros campos, como na política, embora defendesse os mais pobres e os menos favorecidos.

Com os poderes públicos tinha uma relação respeitosa, sem ingerências recíprocas nos respectivos campos. De uma personalidade simples, apesar da responsabilidade que carregava, e equilibrada, também em momentos difíceis, achava-se bem à vontade com o povo humilde. A violência que atinge todos os quadrantes do País estava presente também em Macapá, estado de fronteira, e ele estava presente onde era necessária a sua autoridade de bispo como, quando após um motim na cadeia da cidade, junto com as autoridades judiciais, organizou um mutirão para ajudar os detentos que ali estavam e não tinham condições de ter um advogado, mas já tinham o direito de ser libertados.

Nas relações com dirigentes de outras denominações religiosas, foi fraterno no respeito da crença de cada um, procurando possibilidades de união onde fosse possível para o bem de todo o povo. A melhor lembrança que ele vai deixar ao seu povo de Parintins e de Macapá, talvez, esteja resumida no seguinte testemunho: "Dom João cumpriu a sua missão como educador, como sacerdote, bispo, e posso dizer que fomos agraciados por termos convivido com ele".

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Dom João Risatti ao centro com missionários do PIME