Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

Padre Shoufani
artesão da paz

Um testemunho de fraternidade no meio
de um conflito que parece não ter fim

e. Émile Shoufani, sacerdote melquita católico, pároco em Nazaré, é uma das personalidades mais proeminentes no diálogo entre religiões e culturas em Israel. Ele gosta de se definir árabe de nascimento e católico por fé. Escreveu artigos e livros e promoveu ações em favor da reconciliação.

No início de junho, no contexto do projeto "Memória para a paz", pe. Shoufani guiou uma romaria de judeus, árabes, cristãos e muçulmanos em alguns lugares da Shoah: Auschwitz e Birchenau. Uma viagem da memória da qual participaram 450 pessoas vindas de Israel, França e Bélgica. Um itinerário para entender o passado e para ler com olhos novos, purificados pela dor e o perdão, os dias sangrentos e as fendas de paz que se alternam na Terra Santa.

"Muitos árabes ignoram, de maneira intolerável, o significado e o alcance da Shoah. Vir a esses lugares significa ter consciência daquilo que foi", explicou pe. Émile. Claro que não é correto fazer paralelos entre o holocausto e o conflito entre israelenses e palestinos hoje. "Mas se esquecemos e não perdoamos, em ambos os casos arriscamos de virar assassinos". A iniciativa da viagem aos lugares da Shoah suscitou reações contrastantes, seja da parte dos judeus como dos muçulmanos.

Ao lado das apreciações, levantaram-se duras críticas daqueles que temiam instrumen-talizações. "Alguns judeus temiam que os palestinos reivindicassem uma espécie de reciprocidade. Por parte dos muçulmanos, ao contrário, perguntavam-nos que sentido teria destacar os sofrimentos do povo judeu durante o nazismo, enquanto hoje é o povo palestino a ser duramente provado". Porém, apesar de tudo isso, a viagem foi um sucesso:

"Finalmente, vi judeus e árabes falarem de si mesmos e do próprio desejo de paz, sem os condicionamentos da política e da atualidade", declarou pe. Émile ao diário francês La Croix. Acreditar na paz e percorrer sendas de paz: é esta a missão que o pároco de Nazaré escolheu, agindo sobretudo em nível de base. Um compromisso reconhecido com o Prêmio pela Reconciliação Mount Zion Award (Jerusalém, 2001) e o Prêmio de Educação para a Paz da Unesco, em setembro deste ano.

Na motivação do júri internacional, destaca-se "a atitude pessoal de diálogo e uma constante atenção aos temas da paz e da tolerância.". Entre as iniciativas concretas para favorecer a amizade entre judeus e árabes, lembra-se a parceria entre o colégio São José de Nazaré, dirigido pelo pe.Shoufani, e a escola judaica Lyada, de Jerusalém, que oferece possibilidades de encontro e estudo aos alunos árabes e judeus dos dois institutos.

Para pe.Shoufani, a diversidade cultural e religiosa, ao invés de ser um obstáculo, representa um caminho privilegiado para a paz. O prêmio Unesco de Educação para a Paz é outorgado cada ano, desde 1981, e foi concedido, entre outros, a Madre Teresa de Calcutá, Paulo Freire e Chiara Lubich.

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