Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
Da redação
M.M.: O que a levou às missões na Guiné Bissau? - Há treze anos, venho participando junto aos padres do Pime de um trabalho voltado à formação vocacional e, durante este tempo, estando em contato com eles, acabei me interessando pela vida missionária. Confesso que há muito tempo tinha o desejo de participar de uma experiência na missão, não importando verdadeiramente se esta minha vontade de ser útil seria realizada na Amazônia, no Mato Grosso ou além-fronteiras. Tive a oportunidade de realizar na África, na Guiné Bissau, com dom Zilli, filho de Ibiporã, essa experiência, por alguns meses. M.M.: Como foi seu contato inicial com a Guiné Bissau? - É um país muito bonito, com florestas, com muito verde. Isso faz lembrar o Brasil. Há cultivo de arroz, milho, amendoim, feijão, mandioca e frutas como manga, banana, predominando o caju. Fui recebida com muito carinho por todos. Parecia até que já conhecia aquele povo há muito tempo. Apesar de encontrar um país em ruínas, por causa da guerra, o povo demonstra ter muita esperança no futuro. Já no aeroporto, fui recebida pelos padres Darci Augusto Alves e Marcos, que me disseram: - "Daqui para frente, você é uma missionária!" Tentei viver isto durante todo o tempo. M.M.: Quais foram as comunidades missionárias visitadas por você? - Visitei aproximadamente quinze comunidades, sendo que algumas, apenas de passagem. A comunidade onde permaneci por mais tempo foi a de Catió, dirigida pelo pe. Darci e onde se encontram algumas religiosas brasileiras. Estive também em Bedanda, onde me encontrei com ir. Ana Maria que, por sinal, é de Londrina. Passei pelo Catequistado de N'Loren, onde está o pe. Luiz Miranda, de Assis, e outras realidades da Diocese de Bissau, retornando depois a Bafatá. M.M.: Qual foi sua real participação na vida dessas comunidades? - Eu me envolvi em quase todos os tipos de atividades desenvolvidas pelas religiosas em suas comunidades. Tive a oportunidade de colaborar no trabalho de recuperação de crianças desnutridas, através de pesagem e distribuição de uma "multimistura" bastante nutritiva, utilizada na alimentação. Em Bedanda, pude vivenciar a realidade da rotina de um ambulatório médico e, no Catequistado, participei de cursos onde se ensina corte e costura, pintura, bordado, tendo a oportunidade de ensinar um pouco de minha profissão de costureira. Participei também de celebrações litúrgicas, reuniões de catequese e do terço em família e pude sentir que são cristãos bastante fervorosos. M.M.: Sabemos, que durante sua permanência na África, você não conseguiu escapar da malária, passando por uns "maus bocados". Como foi isso?
- Mesmo tendo tomado alguns cuidados preventivos, como a vacina e outras providências neste sentido, fui vítima da malária ou paludismo. Fiquei muito debilitada, fraca mesmo, sem vontade para nada. Mas, graças a Deus, com muito repouso e com a atenção e os cuidados que recebi, correu tudo bem e posso dizer que estou inteira, recuperada mesmo. M.M.: Como você viu e sentiu a vida do missionário em seu campo de ação? - Eles vivem como os primeiros cristãos, enfrentando dificuldades, desafios, doando-se inteiramente em cada gesto, em cada palavra, em cada ação. Preocupam-se com o dia-a-dia, com a vida de seu povo. É muito bonito o trabalho que realizam através da evangelização, em todos os campos: na pastoral com os jovens, com as famílias, no desenvolvimento cultural, enfrentando, quase sempre, costumes e tradições que escravizam o povo. O que se vê é uma preocupação muito grande com a mortalidade infantil, com o analfabetismo, com a saúde, com a orfandade, com a própria sobrevivência do povo. É impressionante a coragem com que cada padre, cada religiosa, realiza este trabalho tão bonito e importante. M.M.: Como é sentir-se parte do povo de Deus em terra de missão? - Acho que os leigos que tiverem oportunidade de sair de seu país para serem voluntários além-fronteiras, devem fazê-lo. Estar a serviço, sentir-se útil foi muito importante para mim. É importante, também, que cada comunidade, cada diocese, cada Igreja local amplie o trabalho de envio de leigos para as missões. M.M.: O que a impressionou durante seu tempo de missão?
- O que mais me impressiona é a doação total do missionário. O amor ao Cristo vivo na pessoa do irmão, dos mais pobres, dos mais carentes. Isto é muito bonito. É também um desafio muito grande, não só para os missionários, mas para toda a Igreja. Viver a missão por inteiro. Viver o Antigo Testamento, realizando o projeto do Novo Testamento. M.M.: Maria, esta experiência trouxe alguma mudança importante em sua vida? - Poder conhecer de perto a vida missionária foi uma experiência muito importante para mim. Passei a valorizar ainda mais o trabalho do missionário. Mesmo por período tão curto de tempo, "pude sentir na pele" o que é viver longe da família, dos amigos, da pátria. Porém, foi muito gratificante fazer parte desse projeto de Deus. Espero voltar um dia. M.M.: O que você diria a uma pessoa que sente desejo de ser voluntário em terra de missão? - Diria que a missão não é aventura radical, mas doação total. É esquecer-se do eu para viver o outro. Diria que a missão é o caminho mais curto para a santidade. Falo principalmente ao jovem: - "Não fique agarrado ao seu 'mundinho', não pense duas vezes! Você não imagina como as pessoas se sentem felizes com pequenos gestos de doação como: cantar, brincar ou, simplesmente, estar junto. Se alguém sentir este chamado, pense nele com muito carinho. Vale a pena"! |
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