A Igreja no Mundo
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PAQUISTÃO: 23/07/2010 O assassinato dos irmãos cristãos católicos, Rashid e Sajid Emmanuel, em Faiçalabade, por um grupo de muçulmanos fanáticos, precisamente quando saíam do tribunal após serem considerados inocentes da acusação de blasfêmia, na terça-feira passada, desencadeou uma onda de violência anticristã no país. Assim adverte Dom Joseph Coutts, bispo de Faiçalabade, em entrevista concedida à agência Fides, ontem, após presidir o funeral pelas duas vítimas. O prelado afirma, preocupado, que a situação dos cristãos é "dramática". "O duplo assassinato de ontem e o rastro da violência são uma tragédia não só para a Igreja de Faiçalabade, mas para todos os cristãos do Paquistão", afirma o prelado. Após o assassinato, muitos cristãos saíram às ruas, expressando sua dor, lágrimas, protestos, e ainda houve gestos violentos, como lançamento de pedras contra as lojas dos muçulmanos. A reação foi muito violenta: - na noite entre segunda e terça-feira, cerca de mil muçulmanos armados, vindos de suas mesquitas nas proximidades, entraram no bairro cristão de Waris Pura, em Faiçalabade, causando destruição, queimando, saqueando e espalhando pânico, porém não houve mortos, graças ao trabalho das forças de ordem. Para o bispo e para os fiéis de Faiçalabade foi uma noite "muito longa". O pároco da Igreja do Santo Rosário, junto com outros três sacerdotes, passou a noite em claro, informa Fides, "andando por todo o bairro para pedir aos cristãos não reagir à violência". Após o ataque da noite, a situação ficou muito tensa e as famílias cristãs estão fechadas em suas casas, presas por pânico. Dom Coutts recordou o precedente em 1994, quando um cristão chamado Mansur Masih, acusado de blasfêmia e absolvido, foi assassinado ao sair do tribunal de Lahore, assim como um dos juízes que lhe absolveu. Também recordou o ataque massivo contra a colônia cristã de Gojra, no ano passado, similar ao acontecido nas horas passadas em Waris Pura, depois do assassinado dos dois irmãos. "Os ataques em massa criaram pânico, danificaram lojas e instalações", afirmou o bispo. Certamente, o impacto para as famílias cristãs indefesas, que se sentiam perseguidas foi forte. Semear o ódio Para Dom Coutts, existe toda uma estratégia usada pelas "forças obscuras que tratam de criar ódio e conflito entre as comunidades", e que utilizam a provocação para semear o ódio. "Acredito que seja uma estratégia para levar tensão e ódio inter-religioso ao Paquistão", acrescentou. Os dois irmãos assassinados foram acusados de colocar em circulação um folheto escrito à mão no qual havia acusações muito fortes contra o Islã e ofensas graves contra o profeta Maomé. "Isso criou revolta nos grupos muçulmanos. Muitos deles agora pensam que os cristãos realmente querem desafiar o Islã e insultar ao Profeta", lamenta o prelado, negando categoricamente que este folheto seja obra dos cristãos. Para contrapor isso, explica o bispo, "tento manter contato com as autoridades civis e os líderes religiosos, explicando que os cristãos não odeiam os muçulmanos e querem a paz", um trabalho "muito difícil" depois do que aconteceu. Neste sentido, o prelado aponta a necessidade de abolir a lei sobre a blasfêmia, uma lei que é o "resultado de uma mentalidade e atitude cultural" e que "está na raiz desta situação trágica". "Entre muitos líderes muçulmanos existe raiva também pela situação internacional, e circulam ideias radicais contra o Ocidente e contra o sionismo". Dom Coutts pede ajuda para o exterior, especialmente uma "maior consciência" por parte da Igreja Universal, pois a situação dos cristãos paquistaneses é cada vez mais difícil. "Nosso trabalho de mediação e estabelecimento da paz não é fácil, mas confiamos na ajuda de Deus e de todos os cristãos do mundo", conclui. Zenit
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