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AFEGANISTÃO: 08/12/2003
A liberdade religiosa analisada pelo superior católico
Liberdade Religiosa

A liberdade religiosa no Afeganistão dependerá da maneira com que se interpretar a aplicação da Constituição que logo deveria ser aprovada, reconhece o superior católico no país. O padre Giuseppe Moretti, da Congregação dos Sacerdotes Regulares de São Paulo (padres barnabitas), guia a "missão" da Santa Sé para Afeganistão (com atribuições como as de um bispo).

Missionário no país desde 1977, o sacerdote de 65 anos, é otimista a analisar o documento constitucional que deveria ser votado por Loya Jirga, o Parlamento afegão, apesar de constatar nele claras contradições. O texto prevê que o Estado deve conformar-se às Cartas das Nações Unidas, os tratados e convenções internacionais que firmou o Afeganistão, em particular, à Declaração Universal do Direitos do Homem, o que implica o reconhecimento da liberdade religiosa (artigo n.º 7).

Declara, além, que o Estado tem o dever de respeitar e proteger a liberdade e a dignidade de cada ser humano (artigo n.º 25). O mesmo projeto de Constituição, sem embargo, afirma que o Afeganistão é "uma República islâmica" (artigo n.º 1), que o islã é a religião do Estado (artigo n.º 2), que nenhuma lei poderia conter princípios contrários à religião mulçumana (artigo n.º 3), e que o Estado adotará as medidas necessárias para promover a educação religiosa, valorizando as mesquitas, as escolas alcorânicas, e os centros islâmicos (artigo n.º 17).

"Tenho a esperança no futuro", afirma o sacerdote que teve que abandonar o país em 1994 quando foi ferido em um bombardeio. Ao regressar em maio de 2002 a Kabul, se converteu na máxima autoridade da Igreja católica no país. Os mulçumanos o chamam de "mulá" cristão. "O artigo dois diz também que "os seguidores das demais religiões tem liberdade para participar em seus ritos, segundo os limites estabelecidos pela lei", disse o sacerdote.

"É necessário ver como se interpreta a liberdade de culto - opina-, isto é, se o artigo n.º 2 se aplicará em sentido restrito ou não, e se as leis continuarão a impedir a construção de igrejas fora das sedes diplomáticas", como sucedia até agora no país. A Igreja católica está na sede da embaixada italiana de Kabul. "Não acredito que se admitirá a possibilidade de evangelizar", reconhece.

Neste momentos, a presença católica mais significativa, constata, são as quatro Pequenas Irmãs de Charles de Foucauld, que trabalham no hospital de Kabul, oferecendo seu testemunho de entrega aos mais pobres. Estavam presentes, no silêncio, inclusive sob o regime dos talibãs. Agora, anuncia o padre Moretti, se espera a chegada de algumas religiosas de Madre Tereza de Calcutá, de outras congregações religiosas femininas, assim como de alguns jesuítas.

Zenit


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