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ÁFRICA CENTRAL: 11/09/2003
Missionário que se propôs "Salvar
a África por meio da África"
Testemunho missionário
No próximo dia 5 de outubro, João Paulo II presidirá
na praça de São Pedro, em Roma, a canonização
do primeiro bispo da África Central e um dos missionários
mais representativos na história da Igreja, Daniel Comboni, celebre
por seu projeto de regeneração do continente negro.
Filho de camponês pobre, Daniel Comboni nasceu em 15 de março
de 1831 em Limone sul Garda (Itália). Era o quarto de oito irmãos,
falecidos quase todos ainda crianças. A pobreza obrigou Daniel
a deixar seu povo para estudar em Verona, em um Instituto fundado pelo
sacerdote don Nicola Mazza para jovens prometedores mas sem recursos.
Nesses anos Daniel descobriu sua vocação sacerdotal, estudou
filosofia e teologia e se abriu para a missão da África
Central, atraído pelo testemunho dos primeiros missionários
do Instituto Mazza que trabalhavam no continente africano.
Em 1824, Daniel Comboni foi ordenado sacerdote. Três anos mais
tarde partiu para a missão da África junto com outros cinco
missionários do mesmo instituto.
Ao chegar a Jartum, a capital de Sudão, o impacto com a realidade
africana foi estremecedor. O padre Comboni logo se deu conta das dificuldades
que a nova missão comportava: fadigas, clima insuportável,
enfermidades, morte de numerosos e jovens companheiros missionários
e a pobreza de uma população abandonada à sua própria
sorte.
"Teremos de fatigar-nos, suar, morrer, mas ao pensar que se sua
e se morre por amor a Jesus Cristo e a salvação das almas
mais abandonadas deste mundo, encontro o consolo necessário para
não desistir deste grande empreendimento", escreveu a seus
pais desde a missão de Santa Cruz.
De regresso à Itália, a lembrança da África
e de seu povo impulsionou o padre Comboni a preparar uma nova estratégia
missionária. Em 1864, recolhido em oração sobre a
tumba de São Pedro em Roma, teve a intuição que lhe
levou a elaborar seu famoso "Plano para a regeneração
da África", um projeto missionário que pode resumir-se
na expressão "Salvar a África por meio da África",
fruto de sua ilimitada confiança nas capacidades humanas e religiosas
dos povos africanos.
A fim de impulsionar a missão na África Central, dedicou-se
com todas as forças à animação missionária
por toda Europa, pedindo ajuda espiritual e material para a missão
africana tanto aos Reis, bispos e senhores como ao povo simples e pobre.
Fundou uma revista missionária, a primeira na Itália, como
instrumento para animação missionária.
Confiando em Deus e levado por seu amor à África, o sacerdote
fundou em 1867 a atual Congregação dos Missionários
Combonianos do Coração de Jesus. Em 1872, conseguiu também
que as religiosas participassem diretamente na missão na África
Central e fundou as Irmãs Missionárias Combonianas.
Como teólogo do bispo de Verona, participou do Concílio
Vaticano I e conseguiu que 70 bispos escrevessem um pedido em favor da
evangelização da África Central ("Postulatum
pro Nigris Africae Centralis").
Em 2 de julho de 1877, Comboni foi nomeado Vigário Apostólico
de África Central e consagrado bispo um mês depois.
Em 1880, Daniel Comboni regressou à África pela oitava e
última vez a fim de estar ao lado de seus missionários e
missionárias, decidido a continuar a luta contra a escravatura
e a consolar a atividade missionária.
Um ano mais tarde, diante do cansaço, da morte recente de vários
de seus colaboradores e da aflição causada por acusações
infundadas, o bispo Comboni caiu enfermo. Em 10 de outubro de 1881, aos
50 anos de idade, morreu em Jartum. "Eu morro, exclamo, mas minha
obra não morrerá".
Em 17 de março de 1996 foi beatificado por João Paulo II
na Basílica de São Pedro, em Roma. Em 20 de dezembro de
2002 a Santa Sé fez público o decreto no qual se reconheceu
o milagre feito por intercessão do bispo missionário em
uma mãe muçulmana do Sudão, Lubna Abdel Aziz. Abriram-se
assim as portas para sua canonização.
Zenit
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