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ANGOLA: 18/11/2003
Ajuda à Igreja que Sofre denuncia violências
em Cabinda
Violência
Alguns sacerdotes católicos denunciam crimes contra a humanidade
cometidos contra a população civil por militares angolanos
em Cabinda, província separada do restante do território
angolano pelo Congo Brazzaville. Segundo um comunicado da seção
portuguesa de Ajuda à Igreja que Sofre, nos últimos 12 meses,
os soldados de Luanda seriam os responsáveis por torturas, violências
e homicídios. Ajuda à Igreja que Sofre é uma instituição
da Igreja que depende diretamente da Santa Sé.
A Organização lançou em Lisboa uma campanha de apoio
a Angola intitulada "A indiferença é crime", com
o objetivo de "contribuir com uma arrecadação de fundos
para a formação de sacerdotes e seminaristas em Angola,
pois a Igreja é a única instituição crível
para promover a paz e a reconciliação em Cabinda e Angola".
O presidente do Conselho da Administração de Ajuda à
Igreja que Sofre, Paulo Bernardino, enviou uma carta a milhares de benfeitores
de instituições em Portugal, na qual recorda "as represálias
violentas contra os habitantes dos vilarejos, as execuções
sumárias, os espancamentos e torturas, a destruição
de residências, e os saques de bens da população".
A tudo isso somam-se: violências sexuais, também contra
adolescentes, mulheres obrigadas a casamentos forçados, detenções
extrajudiciais, proibições que impedem a população
de realizar atividades de subsistência, como a agricultura, pesca
e caça, e o uso forçado dos civis como "guias"
durante as operações militares.
Paulo Bernardino afirma que "esses crimes parecem ser executados
com a cumplicidade do governo. Recebemos apelos alarmantes de Cabinda.
O drama de se sentirem abandonados agrava o horror que essas populações
estão vivendo". Recentemente, o correspondente da BBC em Luanda
escreveu uma reportagem sobre a situação em Cabinda para
o jornal português "Público".
No artigo, o jornalista cita o Bispo de Cabinda, Dom Paulino Madeca,
ao afirmar que "infelizmente a situação política
na província deteriorou-se nos últimos anos. A lógica
da guerra prevalece como solução do chamado 'caso Cabinda'".
Há anos, a província de Cabinda está no centro de
uma guerra civil entre o Exército de Luanda e os guerrilheiros
da FLEC (Frente de Libertação da Província de Cabinda)
que lutam pela independência da região de Angola. Cabinda
é rica em petróleo, a produção alcança
700 mil barris por dia.
Fides
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