|
PIME-Net
BURUNDI: 20/11/2003
"Um acordo de importância histórica.
Agora é preciso fazer a paz com o outro grupo da guerrilha"
Guerra Civil
"Este acordo tem uma importância histórica para Burundi"
- diz à Agência Fides Dom Evariste Ngoyagoye, Bispo de Bujumbura,
que faz uma avaliação preliminar das perspectivas de paz
em Burundi depois da assinatura do acordo entre o Governo e as FDD (Forças
para a Defesa da Democracia), ocorrida no último domingo, 16 de
novembro, em Dar Es-Salaam, capital da Tanzânia.
"Para compreender o valor do acordo, é preciso recordar que
as FDD são o principal grupo de guerrilha burundinês, que
obteve um certo consenso entre a população civil e que controla
grande parte do território" - diz Dom Ngoyagoye. Agora, os
esforços de paz são concentrados no segundo grupo de guerrilheiros,
as Forças Nacionais de Libertação, (FNL) que controlam
a zona que circunda a capital.
Os próprios rebeldes das FNL protagonizaram os últimos
episódios de violência, em particular os pesados bombardeios
que atingiram Bujumbura nas semanas passadas. "Temos uma esperança
concreta de levar à mesa de paz também as FNL" diz
Dom Ngoyagoye. "Nós, Bispos, iniciamos uma negociação
para criar um diálogo entre as FNL e o governo.
Não é uma tarefa fácil, mesmo porque este movimento
tem uma forte ideologia ligada à etnia, e tende a ver e a encarar
o conflito exclusivamente em termos de atrito entre hutu e tutsi, enquanto
as questões são bem mais complexas. Somos, todavia, engajados
no serviço do caminho da paz como Pastores". "Também
por este motivo, o acordo com as FDD é importante.
Se este acordo durar, as FNL terão todo o interesse em negociar
a paz, caso contrário, haveria o risco de colocar tudo em discussão.
Estou também convencido de que a paz em Burundi esteja ligada ao
contexto da região dos Grandes Lagos: a paz em outros países
(República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda) terá
efeitos benéficos em Burundi, e por outro lado, a estabilização
no meu país contribuirá para o progresso da paz em toda
a região" - concluiu Dom Evariste Ngoyagoye.
O acordo de paz, que foi assinado pelo Presidente burundinês Domitien
Ndayizeye e pelo líder das FDD, Pierre Nkurunziza, prevê
a divisão do poder e a integração dos combatentes
hutu no exército regular, que é atualmente controlado pela
minoria tutsi. Estavam presentes no summit de Dar Es-Salaam diversos Chefes
de Estado e de Governo africanos: o Presidente ugandense, Yoweri Museveni,
o moçambicano Joaquim Chissano, o Presidente congolês Joseph
Kabila, o primeiro-ministro etíope Meles Zenawi e o vice-presidente
sul-africano Jacob Zuma, que é atualmente o principal mediador
do conflito no Burundi.
Os participantes do encontro lançaram um ultimato às FNL
para que "suspendam imediatamente as hostilidades e os atos de violência,
e iniciem negociações de paz com o governo, em três
meses". Caso contrário, "o povo burundinês, a iniciativa
regional para o Burundi e a União Africana considerarão
o movimento como uma organização contrária à
paz, e assim será tratada". As FNL rejeitaram o ultimato.
Fides
Home-page
© 2003 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail
|