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CAMBOJA: 04/08/2003
Depois das eleições perigo de um bloqueio
político
Política
"O Camboja corre o perigo de chegar a um estado político
de bloqueio total. A população está preocupada e
teme o fantasma das desordens sociais ocorridas depois das eleições
de 1998" disse, em uma entrevista à agência Fides, um
missionário salesiano, o pe. Leo Ochoa, Diretor da Escola Técnica
Salesiana de Phnom Penh, um dia depois das eleições de 27
de julho. A escola acolhe aproximadamente 500 alunos que aprendem eletrônica,
mecânica, informática e inglês.
As eleições ocorreram pacificamente sem episódios
de violência. Os resultados oficiais serão publicados em
8 de agosto, porem as pesquisas dão vantagem ao Cambodian People's
Party(CPP) do primeiro Ministro em cargo Hun Sen, com cerca de 49% dos
votos enquanto os partidos da oposição, o Sam Rainsy Party
e o Funcipec tem, segundo as pesquisas 22% e o outro 20%dos votos.
"Hoje se nota certa tensão, disse o pe. Ochoa, porque os
partidos de oposição declararão que não formarão
governo de coalizão com o CPP de Hun Sen. Existe o perigo de um
bloqueio político, já que o CPP não conseguira obter
a maioria de dois terços no Parlamento, necessários para
governar. Por isso, a população tem medo que haja novas
desordens como ocorreu em 1998 depois das eleições".
Também a Igreja cambojana, um pequeno rebanho de 20.000 fiéis
sobre 13 milhões de habitantes, é prudente. O salesiano
explica à agência Fides: "Grande parte da comunidade
católica está composta de fiéis vietnamitas que moram
em Camboja. Alguns políticos no partido de oposição
compararam a religião católica aos vietnamitas, que não
são bem vistos por problemas no passado e a Igreja sofre por esta
aversão. Mas a Igreja não apóia nenhum partido político:
trabalha pelo bem da nação cambojana, especialmente pelos
jovens e pelos pobres sem distinção de cultura, raça,
nacionalidade ou religião. Nossas portas estão abertas a
todos".
A comunidade católica, disse o missionário, está
muito comprometida no campo da educação, ainda que as escolas
sejam laicas e a fé se ensine nas paróquias com cursos de
pelo menos três anos, antes de administrar o batismo. "Trabalhamos
muito no campo da promoção e do desenvolvimento humano,
ensinando e testemunhando valores evangélicos com o respeito mútuo,
o amor e o perdão".
"O governo atualmente aprecia os católicos, especialmente
os missionários presentes no país: Missões Estrangeiras
de Paris, salesianos, jesuítas, religiosas de Madre Teresa, PIME,
Maryknoll. Muitos dizem que nossas obras são as melhores por sua
elevada qualidade nos serviços que oferecem".
Sobre a base desta estima que gozamos existe uma grande esperança
em superar todas as dificuldades". A religião mais difundida
no Camboja é o Budismo Theravada. Em 1975-79 com o regime dos Khmer
vermelhos se suprimiu toda religião no país. Em 1979 se
restabeleceram o Budismo e o Islamismo e em 1990 foi reconhecida a liberdade
de culto aos cristãos.
Fides
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