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COSTA DO MARFIM: 17/11/2003
Não são suficientes as numerosas guerras
e mortes na África para que o país continue com o processo
de paz?
Guerra Civil
Opiniões divergentes na Costa do Marfim sobre a reunião
dos líderes dos países da África ocidental em Acra
(Gana) para promover a paz no país. Participaram da reunião
os presidentes da Costa do Marfim, Benin, Burkina Fasso, Níger,
Nigéria e Togo. Segundo fontes da Agência Fides contatadas
em Abidjan, os rebeldes das chamadas Forças Novas (que reúne
os movimentos de guerrilha que controlam o norte e o oeste da Costa do
Marfim) permaneceram profundamente desiludidos porque esperavam que os
outros países africanos pressionassem o Presidente marfinense,
Laurent Gbago, para que respeitasse os acordos de Marcoussis (França),
assinados pelo governo e rebeldes em janeiro deste ano. O Presidente,
por sua vez, declarou-se satisfeito por não ser obrigado a tomar
medidas concretas nesse sentido.
A única decisão adotada pelos participantes do encontro
foi o pedido das Nações Unidas para o envio no país
de Capacetes-azuis. "Também a França está de
acordo sobre este ponto", destacaram as fontes da Fides. "Paris
tem sempre mais dificuldades em manter na Costa do Marfim um contingente
de 4 mil homens, enquanto os países africanos que enviaram uma
força de 1.200 homens lamentam que não dispõem de
meios adequados. Uma intervenção dos Capacetes-azuis é
solicitada por todos."
O Secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que o processo
de paz na Costa do Marfim "encontra-se em sérias dificuldades.
É preciso identificar e resolver urgentemente as dificuldades que
estão por trás do atual impasse".
O governo de unidade nacional criado com base nos acordos de Marcoussis
está praticamente estagnado porque os ministros nomeados das Forças
Novas suspenderam sua participação do Executivo por motivos
de segurança. "Na reunião de Acra foi decidido reforçar
o número de ministros que representam os rebeldes com o envio de
outros 80 policiais para tentar resolver essa situação",
dizem as fontes da Fides.
Enquanto isso, Romano Prodi, Presidente da União Européia,
chegou ontem a Abidjan para se encontrar com o Presidente Gbagbo. "O
Presidente da União Européia pretende impulsionar o processo
de paz que está vivendo um impasse terrível. A Europa pode
oferecer a este país sua força econômica e moral para
apoiar o processo de paz", afirmam as fontes da Fides.
"A intervenção da ONU e da União Européia
é necessária porque estamos vivendo um momento muito perigoso,
as pessoas não têm confiança, a esperança de
paz está cedendo lugar à resignação de um
status que pode ir novamente em direção à guerra.
A tentação de resolver os problemas com as armas é
sempre presente, sobretudo por parte do governo, que nos últimos
tempos adquiriu novos armamentos de modo considerável", concluem
as fontes da Fides.
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