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COSTA DO MARFIM: 21/11/2003
Um mal-entendido sobre as palavras do ministro da defesa faz aumentar a tensão
Guerra Civil

Aumenta a tensão na Costa do Marfim, onde os rebeldes da coalizão "Forças Novas" decretaram o estado de emergência porque temem um ataque por parte do Exército regular. "Esta tensão nasceu provavelmente depois do mal-entendido na interpretação das palavras do Ministro da Defesa, pronunciadas por ocasião de uma cerimônia em memória das vítimas da guerra civil", afirma à Agência Fides um missionário de Bouaké, a principal cidade do norte do país, sob controle dos rebeldes.

"Os rebeldes mobilizaram suas forças, mas aqui, na cidade, a circulação é regular". "Este episódio demonstra, no entanto, como a Costa do Marfim vive uma situação explosiva: parece que basta um mal-entendido para que a harmonia seja rompida", afirma o missionário. "Tenho, porém, a esperança que prevaleça a razão. Sinto que o governo e os rebeldes acreditam que a guerra é um mal que deve ser evitado. Os mortos e as destruições dos últimos meses serviram de aviso para todos."

O Exército governamental desmentiu que esteja preparando uma ofensiva contra as regiões rebeldes, mesmo que tenha reiterado que está pronto para qualquer eventualidade, caso sejam os rebeldes a quebrar a trégua. Os rebeldes deram uma demonstração de sua força com um desfile pelas ruas de Bouaké de um comboio de caminhões carregados de armas pesadas, incluindo canhões antiaéreos e lança-bombas. O Primeiro-ministro, Seydou Diarra, anunciou que vai encontrar o mais rápido possível os chefes rebeldes em Acra, capital de Gana, para tentar superar a situação na Costa do Marfim.

"A real divisão do país está destruindo a população, principalmente nas regiões rebeldes", afirma o missionário. "Os mercados e as lojas estão lotados de alimentos, mas as pessoas não têm dinheiro para gastar. O desemprego é elevado e se vive como se pode. Mas depois de meses da suspensão dos salários e da falta de trabalho, teme-se que, daqui a pouco, as pessoas comecem a morrer de fome. Uma condição absurda, pois não se trata de escassez, mas de distribuição das riquezas."

Neste contexto, causa preocupação a notícia que Giovanni Bonomo, um perigoso mafioso italiano, antes de ter sido preso no Senegal, se encontrava na Costa do Marfim. Bonomo, que foi deportado para a Itália, é suspeito de lavar dinheiro na Namíbia e na África do Sul. "Não se sabe o que uma pessoa como ele estava fazendo na Costa do Marfim", afirma o missionário, "porém não devemos nos surpreender que nas regiões onde a presença do Estado é quase inexistente, haja infiltração da criminalidade internacional. Basta pensar nos tráficos de armas que alimentam essas guerras esquecidas".

Fides


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