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COSTA DO MARFIM: 01/12/2003
Expectativa pela participação de membros
da guerrilha no governo
Guerra Civil
"Trata-se de um encontro essencial para resolver a crise na Costa
do Marfim", afirma à agência Fides um observador da
Igreja local em Abidjan, comentando o encontro que se realizou no dia
26 de novembro, em Ouagadougou, entre o Presidente de Burkina Fasso, Blaise
Compaoré, e o seu colega marfinense, Laurent Gbagbo.
"Mesmo que não se saiba o conteúdo da discussão
dos dois Chefes de Estado, pode-se dizer que as três horas de colóquio
face a face deram a idéia de um progresso nas relações
entre os dois países", afirma a fonte da agência Fides.
Nos últimos meses, cresceu a tensão entre Burkina Fasso
e a Costa do Marfim, sobretudo porque Abidjan acusava Ouagadougou de apoiar
os rebeldes que ocupam a parte norte do território marfinense,
na fronteira com Burkina. "O restabelecimento de um clima mais afável
entre os dois países foi possível graças aos membros
da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS/CEDEAO),
que estão buscando uma solução para crise marfinense",
afirma a nossa fonte.
"Um teste decisivo para verificar a eficácia da mediação
internacional ocorre no dia 27, com a reunião do governo de unidade
nacional. É preciso aguardar para saber se os ministros que representam
os rebeldes, reunidos sob a denominação de 'Forças
Novas', participarão do encontro.
Os rebeldes há muito tempo suspenderam sua participação
no Executivo, para protestar contra as supostas violações
do Presidente Gbagbo dos acordos de paz", refere a fonte da Fides.
"Todos os chefes de Estado e de governo da ECOWAS/CEDEAO afirmaram
que uma das condições para desbloquear a situação
na Costa do Marfim é a volta ao Executivo dos ministros das Forças
Novas.
Atitude defendida também pelo Presidente da Comissão Européia,
Romano Prodi, em recente visita ao país. O governo de Unidade nacional,
guiado pelo Primeiro-ministro Seydou Diarra, nasceu com base nos acordos
de Marcoussis (França) de janeiro deste ano, que colocou fim aos
confrontos entre governo e alguns grupos rebeldes, que iniciaram em setembro
de 2002.
Apesar dos acordos, a situação no país permanece
instável, porque a violência pode explodir novamente a qualquer
momento. Dois dias atrás, o Secretário-geral das Nações
Unidas, Kofi Annan, lançou um alerta sobre o possível retorno
da guerra.
"Além do confronto verbal entre uma parte do Exército
e os rebeldes, que fez aumentar a tensão, é claro que a
situação é insustentável, principalmente para
as populações que vivem nas regiões sob controle
dos rebeldes, onde o sistema econômico ordinário foi substituído
por uma economia informal, para não dizer criminal", afirmam
as fontes da Fides. "Nessas condições, o país
aguarda uma reviravolta, que pode ter início com a resolução
do impasse ou, que Deus não permita, com a guerra."
Fides
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