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COSTA DO MARFIM: 04/12/2003
A revolta dos militares é um sinal de mal-estar
profundo
Conflitos
"No momento, não há nenhum alarme especial e não
há movimentação das tropas dos rebeldes", afirma
à Agência Fides um missionário de Bouaké, a
principal cidade no norte da Costa do Marfim em poder dos rebeldes das
"Forças Novas", depois dos confrontos registrados entre
militares franceses e soldados governamentais no sábado, 29 de
novembro.
"Tudo começou", relata a fonte da Fides, "quando
um grupo de jovens fiéis ao Presidente Gbagbo, apoiados por diversos
militares do governo, dirigiram-se para a zona desmilitarizada que delimita
o território governamental daquele que está em poder dos
rebeldes. Os militares franceses, encarregados de vigiar a trégua,
intervieram, e assim começou o confronto, durante o qual alguns
soldados marfinenses ficaram feridos.
O episódio aconteceu a cerca de 60 km de Bouaké, em um
território pertencente à diocese". "Ontem, no
entanto, alguns de nossos sacerdotes foram até o local e puderam
atravessar os vários postos de controle sem algum problema, para
celebrar a Missa em alguns vilarejos a 90 km de Bouaké". Depois
do confronto, no dia 30 de novembro, um grupo de militares tomou o controle
da sede da televisão nacional.
Eles interromperam as transmissões para divulgar uma mensagem
na qual pedem as demissões do Chefe do estado maior e a retirada
das tropas francesas do país. Segundo outra fonte da Fides, que
mora em Abidjan, "nas regiões sob controle governamental reina
uma calma carregada de tensão. A situação poderia
explodir a qualquer momento, mesmo que exista sempre a esperança
de que se verifique uma evolução em sentido pacífico".
"A impressão que se tem aqui em Bouaké é que,
no momento, a demonstração de força por parte da
facção mais dura do Exército esteja concentrada não
tanto contra os rebeldes, mas contra a França, acusada de uma atitude
parcial e até mesmo favorável às Forças Novas.
O Exército, em particular, se sente traído porque esperava
que a França o ajudasse a reconquistar as regiões em poder
dos rebeldes", afirma o missionário.
"Esses últimos fatos indicam um mal-estar profundo",
afirma a Fides um observador da Igreja local. "As pessoas estão
cansadas do impasse nas negociações entre o Presidente e
os rebeldes. A Costa do Marfim nunca esteve dividida e os seus habitantes
se sentem humilhados por esse fato. Não é um caso que os
militares tenham realizado esses gesto depois da retomada das negociações
diplomáticas, das quais participou o Presidente Gbagbo nos últimos
dias.
Os marfinenses esperavam um calendário preciso para o desarmamento
e a unificação do país, mas receberam somente vagas
promessas. Agora, a posição do Presidente é delicada,
porque garantiu que dentro de 48 horas anunciaria as datas para a reunificação
do país". "Agora são os rebeldes que devem dar
respostas que acalmem os ânimos. Até o momento, os sinais
não são muitos estimulantes.
Na reunião de unidade nacional que aconteceu no dia 27 de novembro,
não participaram os ministros representantes dos rebeldes. A suspensão
nas atividades de governo dos ministros de Forças Novas é
precisamente uma das causas da situação atual" conclui
nossa fonte.
Fides
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