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ESLOVÁQUIA: 11/09/2003
Surpreendentes testemunhos revelam heroísmo de católicos eslovacos
Testemunho

A poucas horas da visita do Papa João Paulo II a Eslováquia, a agência Fides publicou os espantosos testemunhos de católicos que pela primeira vez relataram os horrores de 40 anos de perseguição religiosa por parte do regime comunista.

Vários testemunhos desta perseguição comunista foram apresentados em um programa de televisão chamado "Cristo no frio do Leste", que prepara a visita do Pontífice, e além de narrar histórias sobre os testemunhos de homens e mulheres perseguidos por causa de Cristo, indicaram a Rádio Vaticana como um dos contatos estratégicos da Eslováquia com o mundo livre e a Igreja.

Uma das declarações publicadas pela Fides é a do sacerdote Ignac Jurus. "Os comunistas se dedicaram com afinco a perseguir a Igreja. Destruíram e impossibilitaram tudo, tanto a palavra escrita como a falada. A única fonte de notícias era a Rádio Vaticana", disse o sacerdote.

Segundo o Padre Jurus, na tentativa de bloquear a transmissão, "os comunistas gastaram muito dinheiro: tudo o que podia ser visto como uma manifestação da fé, era dificultado, encoberto e atacado".

Outra entrevistada foi a religiosa Ir. Elena, das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula. "No segundo ano do regime comunista já não podíamos nos vestir com o hábito religioso. Fomos deportadas a Mocenok, a um campo do qual nos levavam trabalhar nas fábricas.

Estávamos com outras moças que, como nós, tinham que ser 'reeducadas'... isso é o que diziam", afirmou. "Acreditavam que nós, por sermos religiosas, não sabíamos trabalhar, só rezar. Entretanto, cumpríamos nosso trabalho responsavelmente. Fomos concentradas em um setor para evitar que tivéssemos qualquer tipo de contato com as demais meninas, pois poderíamos influenciá-las nestes sete anos", revelou a religiosa.

A leiga Anna Kolek, de Nitra, assegura que "pertencemos à geração que viveu os tempos da perseguição religiosa. As pessoas que acreditavam sinceramente tentavam, por todos os meios, servir a Igreja subterrânea, visto que, já nos anos 70, havia organizado sua própria estrutura clandestina.

Tudo isso ocorria sob o patrocínio e com pleno conhecimento do atual Cardeal, que, naqueles tempos, era nosso bispo clandestino, Giovanni Crisostomo Korez. Ele constituía, para nós, a autoridade e o sinal de que tudo o que fazíamos e vivíamos estava em contato direto com a Igreja Católica.

Depois chegou 1989: finalmente a liberdade tão desejada. Chegou a liberdade de ser, a liberdade religiosa, a liberdade de palavra. Voltava-se a "ser"... voltava-se a viver!", exclamou. O padre Matus Karen Vancek, de Pezinok, lembrou que "em 1950 os comunistas fecharam todos os conventos religiosos.

Eu era noviço, assim que, primeiro me mandaram aos trabalhos forçados, a construir o dique da juventude comunista, e depois, me colocaram na prisão. Tinha apenas 22 anos! Havia muitos professores presos, entre eles, o Bispo Korec.

Sofríamos contínuas violências físicas. Quando fui consagrado sacerdote clandestino, pude dizê-lo apenas à minha mãe. Em 1968 o povo tcheco pediu liberdade e enviaram os carros armados soviéticos: naquela ocasião morreram e foram perseguidos principalmente os jovens.

Até a queda do comunismo, pelas ruas de Bratislava, sempre havia, a minhas costas, um miliciano comunista que me seguia e observava com quem eu falava, porque os que falavam com um sacerdote podiam ser presos; esta era a democracia na qual vivíamos", disse.

ACI Digital


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