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ESPANHA: 01/12/2003
Igreja não necessita de um Estado confessional, mas de respeito à liberdade religiosa
Liberdade Religiosa

O Arcebispo de Valência, Dom Agustín Garcia-Gasco, indicou recentemente que a Igreja "não necessita de um Estado confessional para desenvolver sua missão, mas a única coisa que requer é que o Estado respeite a liberdade religiosa".

Em sua carta semanal, dedicada ao 25o aniversário da Constituição espanhola, o prelado indicou que as pessoas só podem exercer sua liberdade religiosa "onde o Estado não coage a consciência, onde não surgem formas solapadas de perseguição por professar o credo, onde a verdade não é desprezada, onde não se fomenta a soberba prepotente ou a indiferença depreciativa que expulsam Deus da cidade".

Dom García-Gasco disse que "a dimensão religiosa das pessoas é uma realidade que não pode ser combatida, desdenhada ou ignorada pelos poderes públicos de um Estado democrático" e exortou a "lembrar, ao se completar 25 anos da Constituição Espanhola, como a Igreja buscou e facilitou vias de aproximação".

"O que a Igreja espera do Estado?" -título que dá à carta- "é uma pergunta que se apressam em responder, de forma indevida, plataformas ou coletivos que se formaram recentemente com a pretensão de negar a presença pública do fenômeno religioso". A partir destes âmbitos, "tentam suprimir nosso direito de expressão e manifestação em público" disse o Arcebispo.

Frente a essa situação, o pastor Dom Valenciano afirmou que foi o próprio João Paulo II "quem disse claramente o que os cristãos esperam dos poderes públicos" ao afirmar em sua Exortação Apostólica pós-sinodal "Ecclesia in Europa" que "nas relações com os poderes públicos, a Igreja não pede que se volte a formas de Estado confessional mas, ao mesmo tempo, lamenta todo tipo de laicismo ideológico, ou separação hostil entre as instituições civis e as confissões religiosas". Por isso, o respeito da liberdade religiosa "se traduz na lógica de uma justa colaboração entre comunidade eclesial e sociedade política".

Dom García-Gasco conclamou os cristãos a "não permanecer indiferentes nem impassíveis ao desafio histórico da construção européia" . O fato que a Europa seja construída como União "deve também impulsionar os cristãos à unidade, para ser verdadeiros testemunhas de esperança". A Igreja "é um espelho no qual se reflete a alma da humanidade" e se nós, cristãos, "nos apaixonamos por aprofundar a verdade que nos une, a humanidade encontrará um fermento sólido de concórdia" concluiu o Arcebispo.

ACI Digital


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