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ESPANHA: 12/12/2003
Inicia em Toledo o maior processo de canonização
de mártires da Guerra Civil
Testemunho
O Arcebispo de Toledo, Dom Antonio Cañizares, abriu na Catedral
o processo de canonização de 800 mártires da província
eclesiástica de Toledo, que morreram vítimas da perseguição
religiosa durante a Guerra Civil espanhola. O Arcebispo Primaz declarou
que entre 1936 e 1939 ocorreu "uma autêntica perseguição
religiosa, na qual houve verdadeiros mártires", enfatizando,
contudo, que com a abertura deste processo, a Igreja não pretende
fazer um julgamento dos responsáveis pelo martírio, "já
que sua filosofia era a da fé e do amor, não a do ódio
e da vingança".
Durante o ato ficou constituído o tribunal da causa de canonização
ou declaração de martírio, cujos membros prestaram
juramento sobre os Evangelhos de que este processo será realizado
de acordo com a legislação vigente. Dom Cañizares
destacou que a motivação para promover a canonização
destas mais de 800 pessoas foram as palavras do Papa João Paulo
II que advertiam de que no século XX os mártires tinham
se multiplicado e que sua memória não deveria se perder,
"recolhendo para isso a documentação necessária".
Segundo o Arcebispo, esta causa de canonização - que poderia
durar um ano -, "é um sinal da vitalidade de nossas Igrejas
locais", que reconhecem o papel destes servos de Deus, "que
com seu martírio, ofertaram suas vidas para cumprir com toda fidelidade
a vontade do Senhor, em cujas mãos se puseram como Jesus se colocou
nas mãos de Deus na crucificação". Depois de
indicar que durante a perseguição religiosa houve verdadeiros
mártires e outros que não foram, Dom Cañizares disse
que "foi realizada uma minuciosa seleção das pessoas
chamadas a receber este reconhecimento".
Neste sentido, o postulador ou instrutor da causa, o Pe. Jorge López,
explicou que se calcula que nesse período faleceram por perseguição
religiosa umas 10 mil pessoas, embora em alguns casos sua morte pôde
ser atribuída também a outras causas. Durante a investigação
jurídica deste processo, será recolhida a declaração
de uma série de testemunhas, cujo declaração será
avaliada pelos membros do tribunal, entre os quais inclui-se a Comissão
de Peritos em História e Arquivística.
Entre os 800 servos de Deus cujos casos serão estudados destacam-se
o Bispo Eustaquio Nieto Martín, da diocese Sigüenza-Guadalajara,
e os sacerdotes Agustín Rodríguez, Antonio Martínez,
Joaquín Maria Ayala, Joaquín López e Basilio Sánchez,
das dioceses de Cuenca, Albacete, Ciudad Real, Ávila e Toledo.
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