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GEÓRGIA: 23/09/2003
A Igreja ortodoxa impede um acordo da Santa Sé
com a Geórgia
Ortodoxos
O arcebispo Tauran reconhece que a Igreja católica se sente "gravemente
ferida". A Igreja ortodoxa da Geórgia impediu o acordo entre
a Santa Sé e o governo desse país que devia oferecer o reconhecimento
jurídico à sua pequena comunidade católica.
Assim denunciou energicamente uma declaração emitida este
sábado pelo arcebispo Jean-Luis Tauran, secretário vaticano
para as Relações com os Estados, ao regressar de Tbilissi,
onde havia ido para firmar o acordo bilateral, fracassado "na última
hora".
"A delegação da Santa Sé se sentiu gravemente
ferida pela atitude da Igreja ortodoxa georgiana, que difundiu notícias
que não são verdadeiras, apesar de que se havia manifestado
em várias ocasiões a disponibilidade para informar sobre
o andamento das negociações", acrescenta o prelado
francês.
Na quinta-feira passada, o patriarca ortodoxo da Geórgia, o Catholicós
Ilia II, apareceu na televisão para denunciar "o caráter
perigoso de um semelhante acordo para a estabilidade da nação"
e pediu aos fiéis que se mobilizassem, segundo informa o diário
"Avvenire".
"O Vaticano quer aumentar sua influência em nosso país.
Se este acordo for aprovado, os católicos poderão construir
igrejas, escolas, e seminários sem limites", denunciou na
televisão um expoente do Patriarcado, o arcebispo Zenon, que citou
um texto falso do acordo. Na sexta-feira, centenas de estudantes protestaram
com veemência no Parlamento contra o governo, "submetido ao
Vaticano".
Os representantes governamentais tentaram explicar que o acordo não
afetaria de nenhum modo os interesses da Igreja ortodoxa. Pelo contrário,
acrescentaram, garantiria a liberdade religiosa dos 50.000 católicos
que vivem neste país de quase cinco milhões de habitantes.
Pouco depois, o chefe do gabinete de ministros, Avtandil Dzorbednadze,
anunciou ao Vaticano que o governo "já não se sentia
com vontade de firmar o acordo".
O presidente da Geórgia, Eduard Amvrosiyevich Shevarnadze, ex-ministro
de Assuntos Externos de Mijaíl Gorvachov, se encontrava em Yalta,
na reunião da Comunidade de Estados Independentes (CEI).
Segundo informou Dom Claudio Gugerotti, um dos negociadores, o acordo
reconhecia o "papel especial" que desempenha a Igreja ortodoxa
no país, desmentindo outras das afirmações falsas
emitidas por expoentes ortodoxos, que disseram que equiparava as duas
Igrejas.
João Paulo II visitou a Geórgia, terra de Stálin,
entre 8 e 9 de novembro de 1999, onde se encontrou com o patriarca ortodoxo
para promover as relações fraternas.
Dom Tauran conclui sua declaração reconhecendo que este
episódio supõe um motivo de "grande sofrimento"
para o Papa, e pede que a Geórgia, que aderiu a "importantes
Convenções internacionais sobre os direitos humanos, saiba
remediar esta penosa situação".
Zenit
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