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IRAQUE: 12/12/2003
Que os tribunais iraquianos não se transformem em máquinas de vingança
Violência

"Somente a lógica do perdão pode tirar o Iraque da espiral de violência". Declarou a Asia News Pe. Nizar Semaan, sacerdote siríaco da diocese de Nínive, ao comentar os últimos episódios de violência. "É especialmente preocupante o atentado contra uma mesquita sunita de Bagdá", afirma Pe. Nizar. "Este terrível crime contra pessoas que estão rezando é mais um sinal de que uma guerra civil pode explodir a qualquer momento".

No dia 9 de dezembro, uma explosão diante da mesquita sunita de Ahbab al-Mustafa provocou a morte de três pessoas e o ferimento de outras duas. O atentado foi perpetrado logo depois das orações da manhã. "No Iraque, estamos seriamente preocupados com possibilidade concreta que exploda uma guerra civil", prossegue o sacerdote iraquiano. "Percebemos que a presença de tropas estrangeiras é necessária, nesta fase, para afastar a possibilidade de um conflito entre os iraquianos.

É preciso, no entanto, que os soldados estrangeiros atuem sob a égide das Nações Unidas. Penso que deste modo a população estaria mais disposta a aceitar a presença de soldados estrangeiros em sua pátria. É preciso ainda envolver mais países na reconstrução do Iraque, deve ser criado um esforço de toda a comunidade internacional em favor da população iraquiana". "Estou perplexo pelo modo como serão julgados os crimes cometidos pelo antigo regime.

Acredito que a Corte Penal internacional seja o órgão mais indicado para se ocupar da questão. Não gostaria de que tribunais iraquianos, mesmo sob controle norte-americano, se transformassem em máquinas de vingança" afirma Pe. Nizar. "Por isso, acredito que os responsáveis iraquianos devam promover a lógica do perdão para tirar o país da espiral de violência", afirma padre Nizar. "É preciso ainda perceber que a democracia necessita de sólidas bases para se consolidar.

Neste momento, esses fundamentos no Iraque não existem. Acabamos de sair de mais de 30 anos de ditadura e não existe, portanto, uma tradição democrática no país. A democracia não é somente um sistema de governo, é uma cultura que deve ser assimilada e para isso precisamos de tempo. Estou convencido, no entanto, de que se a comunidade internacional não nos abandonar, nós iraquianos seremos capazes de construir um Iraque democrático", conclui Pe. Nizar.

Ásia News


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