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ITÁLIA: 27/11/2003
Diálogo inter-religioso, abre possibilidades
enormes para vida consagrada
Diálogo inter-religioso
O Ir. Álvaro Rodríguez, que ontem inaugurou a 63ª
assembléia semestral da União dos Superiores Gerais (USG)
dedicada ao diálogo inter-religioso, afirmou que o diálogo
abre à vida religiosa possibilidades enormes. Para a vida consagrada
se trata de um diálogo que não é novo. Em efeito.
Segundo o ir. Álvaro, "é uma realidade que os Institutos
religiosos têm vivido graças a sua internacionalidade, porém
hoje com a globalização vai se convertendo em algo que toca
a todos.
Hoje vivemos, por exemplo, na Europa em nível de escolas católicas,
o fato de que uma porcentagem significativa não é cristã".
"Estou convencido, fala o presidente da USG, de que a vida religiosa,
que segundo Lumen Gentium não pertence à estrutura hierárquica
da Igreja mas a sua vida e santidade(44), pode ser uma ponte original
ao diálogo da vida. É como uma busca de Deus, o diálogo
da experiência religiosa. Em segundo lugar porque um dos objetos
de nossa Assembléia e conhecer o valor das formas de vida religiosa
que se dão no centro de algumas Religiões não cristãs".
"Sem duvida, afirma o ir. Álvaro em uma das passagens mais
pessoal de sua saudação aos superiores gerais na inauguração
dos trabalhos, é na Ásia, berço das grandes religiões,
o lugar privilegiado deste diálogo que hoje se abre às dimensões
do mundo, por isso pedi a um dos meus irmãos da Malásia,
com ampla experiência neste campo, que compartilhe comigo as formas
concretas de como viver o diálogo da vida e da experiência
religiosa em nossa comunidade, e é a hora de compartilhar com vocês".
Nossa comunidade tende a identificar-se com um trabalho-serviço
sistematicamente organizado, ao que se dá muito tempo e para o
qual contamos com os últimos recursos; as comunidades religiosas
nas grandes religiões enfatizam a vida em geral e particularmente
a vida espiritual; o povo visita os ao longo do dia, e seu trabalho é
menos formal; de uma maneira ou outra nós religiosos católicos
somos percebidos como eruditos e mestres enquanto eles são vistos
como gente de oração, santa e espiritual.
Em geral aparecemos como menos comprometidos diretamente com os pobres,
porém nos admiram pela maneira como influímos intelectualmente
na população; como nossas comunidades religiosas se comprometem
com a justiça e a paz, também há movimentos similares
entre eles e instancias para trabalhar conjuntamente; sua meditação
e oração dos salmos parecem ser mais solenes e menos apressadas
que nossas orações; em alguns casos suas comunidades religiosas
são centros temporais de formação onde seguidores
de sua religião fazem uma experiência substancial, sem abraçar
a vida religiosa por toda a vida.
Não se trata certamente de fazer um relativismo e pensar que tudo
vale. Nosso trabalho o fazemos a partir de Cristo a quem seguimos e com
quem queremos conformar-nos. Não se trata de dizer que todas as
opiniões são verdadeiras, mas que em todas as religiões
em que se busca sinceramente a Deus e estão abertas às necessidades
do próximo, sobre tudo se é pobre e necessitado, são
caminhos que conduzem a Ele. O diálogo inter-religioso nos abre
possibilidades enormes que uns e outros juntos podemos confrontar.
Por exemplo: promover e fomentar dito diálogo entre as culturas
evitando o que se chama de choque das civilizações, e comprometermos
com a paz e a não violência; criar redes de solidariedade
e trabalhar por uma ordem internacional mais justa por aqueles que vão
sendo excluídos; defender a vida humana e a da natureza; ser testemunhas
dos valores transcendentes e éticos.
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