|
PIME-Net
SUDÃO: 17/12/2003
O Papa alenta a contribuição dos católicos
ao futuro do Sudão
Igrejas e Realidades Humana
No processo de normalização que o Sudão está
vivendo, João Paulo II alentou os católicos do país,
em particular os bispos, a oferecer sua contribuição atendendo
às urgentes necessidades sociais. O pontífice encorajou
o crescimento da Igreja no país africano, perseguida em algumas
regiões, ao receber esta segunda-feira em audiência os bispos
católicos do país ao concluir sua visita "ad limina
apostolorum".
A guerra civil açoita o Sudão há duas décadas,
causando dois milhões de mortos e milhares de desabrigados. O governo
sudanês e o "Exército de Libertação Popular
do Sudão" (SPLA) estão envolvidos em um conflito desde
1983, data em que o ex-presidente Gaafar Nimeiry instaurou a "sharia"
(lei islâmica). Em 1989 foi impulsionado o processo de islamização
forçada entre as populações do sul, que em sua maioria
são cristãs ou animistas.
"A Igreja em vosso país está profundamente preocupada
pelos apuros e sofrimentos que afligem aqueles que fogem da guerra e da
violência -em especial as mulheres e crianças - e mobiliza
não só seus próprios recursos para responder suas
necessidades, mas orienta também a generosidade de voluntários
e bem feitores do exterior", reconheceu.
"Sugiro que uma sólida base para buscar a representação
da Igreja no processo de normalização atual possa ser encontrada
precisamente na urgente assistência que ela oferece a muitos refugiados
e a pessoas desabrigadas que foram obrigadas a deixar suas casas e terras
familiares", acrescentou. Como exemplo, citou o trabalho de Sudanaid,
a organização da Conferência Episcopal para a ajuda
e o desenvolvimento, que "com razão goza de uma generalizada
estima pelos projetos de caridade em que está comprometida".
"As numerosas contribuições que a Igreja oferece à
vida social e cultural de vosso país podem ajudá-los a estabelecer
relações mais próximas e positivas com as instituições
nacionais", sugeriu. "Uma tentativa de abertura por parte dos
dirigentes civis é constatada na presença de cristãos
no governo atual, e na reativação da Comissão para
o Diálogo Inter-religioso", constatou.
"À Igreja corresponde falar sem ambigüidade por aqueles
que não têm voz, como também ser fermento de paz e
solidariedade, particularmente ali onde esses ideais são mais frágeis
e ameaçados", explicou ao tocar outra das dimensões
do trabalho dos pastores. "Como bispos, vossas palavras e ações
nunca devem ser a expressão de preferências políticas
individuais, mas devem refletir a atitude de Cristo, o Bom Pastor",
declarou.
Ao alentar a contribuição dos católicos ao futuro
do Sudão, o Papa pediu aos bispos que não abandonem seus
"esforços por estabelecer uma Universidade Católica
em Cartum". As negociações de paz para o Sudão
avançaram esta segunda-feira no Quênia no objetivo de encontrar
um acordo de paz que acabe com os 20 anos de guerra civil, se bem que
ainda há dúvidas sobre sua viabilidade, por causa dos atuais
confrontos no ocidente do país.
O esperado acordo de paz entre governo e rebeldes do Sudão poderá
ser assinado antes do final de dezembro, confirmou em dias passados o
ministro sudanês de Assuntos Exteriores, Mustafá Osman Ismail.
O Presidente dos EUA, George W. Bush, convidou as partes a firmar o acordo
na Casa Branca.
Dos mais de 38 milhões de habitantes do Sudão, 12,06% são
católicos, segundo o Anuário Estatístico da Igreja.
Este último dado não corresponde com o que oferecem outras
fontes. Por exemplo, "The World Fatbook" fala de 5% de cristãos.
Segundo esta fonte, os muçulmanos (sunitas) constituem 70% da população,
enquanto que os animistas seriam 25%.
Zenit
Home-page
© 2003 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail
|