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UGANDA: 22/12/2003
O arcebispo de Gulu apresenta a Fides a mensagem de
natal dos chefes religiosos
Construtores de Paz
"Os líderes religiosos decidiram lançar uma mensagem
para que este Natal seja de esperança e de reconciliação",
afirma à Agência Fides Dom John Baptist Odama, Arcebispo
de Gulu (Norte de Uganda), comentando a visita de solidariedade realizada
pelos principais líderes religiosos ao campo de refugiados de Pagak,
que se encontra a 18 km de Gulu. Integravam a delegação
o Cardeal Emmanuel Wamala, Arcebispo de Campala, representantes da Igreja
anglicana e ortodoxa, além do líder da comunidade muçulmana.
"Tratou-se não somente de um gesto de solidariedade com o
povo Acholi, mas também de um gesto para reafirmar a unidade de
todo o povo ugandense", declarou Dom Odama. Os Acholi são
a principal etnia do norte de Uganda, região que há anos
é vítima da guerrilha do Exército de Libertação
do Senhor (LRA). No decorrer dos anos, os Acholi sentiram-se abandonados
pelo restante da população ugadense, até porque a
violência do LRA parecia não ter fim. "A delegação
encontrou ainda as crianças que, para fugir dos bombardeios noturnos
dos guerrilheiros, são obrigadas a dormir em esconderijos na periferia
de Gulu", afirma Dom Odama.
"A mesma mensagem foi dirigida a todos: confiem em Deus, rezem intensamente
porque a paz é um Dom de Deus". "Os expoentes das principais
comunidades religiosas ugandenses dirigiram ainda um apelo ao governo
e à guerrilha, para que usem o diálogo para pôr fim
à guerra que tanto sofrimento está causando à população
civil. Pediram que a lei de anistia (Amnesty Law) seja estendida também
aos comandantes do LRA", afirma Dom Odama. "A lei prevê
a clemência para todos os guerrilheiros que depuserem as armas,
mas não para os chefes do LRA.
Com este pedido, os expoentes religiosos recordam que o perdão
de Deus é infinito, e portanto não devem existir limitações
também para o perdão humano. Trata-se de uma questão
moral, mas que poderia dar úteis indicações para
acabar com a guerra".
"É preciso recordar que desde que a lei entrou em vigor, em
janeiro de 2000, segundo os dados da Amnesty Commission governamental,
mais de 10 mil guerrilheiros depuseram as armas", afirma Dom Odama.
"Trata-se, portando, de um instrumento importante para trazer a paz
à nossa terra".
O LRA tem uma ideologia baseada no sincretismo religioso, misturando
elementos do cristianismo e do islamismo com elementos das religiões
tradicionais africanas. Por este motivo, os expoentes religiosos da região
estão ativamente engajados nas negociações com os
líderes da guerrilha para buscar a paz. Se a dimensão religiosa
é somente um dos aspectos do conflito, ainda mais importante é
a dimensão étnica. Formado principalmente por membros da
etnia Acholi, o LRA combate desde 1986 contra o atual Presidente Yoweri
Museveni, que tomou o poder em 1986 destituindo uma junta militar formada
principalmente por oficiais Acholi.
Os militares reformados desta etnia, que se refugiaram no Sudão,
deram vida a diversos movimentos de guerrilha, muitos dos quais se uniram
mais tarde ao LRA.
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