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ZIMBÁBUE: 22/09/2003
Metade da população corre o risco de passar
fome devido à política do presidente Mugabe
Governo e Religião
"Fomos o segundo País mais desenvolvido da África
subsaariana, e agora somos obrigados a recorrer às ajudas da comunidade
internacional para sobreviver", disse à Agência Fides
Dom Pius Alick Ncube, arcebispo de Bulawayo (Zimbabuê) que se encontra
em Roma, para participar do Seminário dos Bispos de língua
inglesa dos territórios de missão.
O seminário é dirigido aos bispos recentemente nomeados
e está centrado na atualização pastoral, além
de permitir o confronto e a troca de idéias de Bispos provenientes
das mais diversas realidades. "A política do Presidente Robert
Mugabe levou o País ao colapso.
Há mais de três anos, desde quando começou a ter
medo de perder o poder, o Presidente impôs um controle rígido
sobre a sociedade. a política de distribuição da
terra, em particular, destruiu o setor agrícola, no passado florescente;
em conseqüência, atualmente 40 pessoas por semana morrem de
fome em Zimbábue", disse o Arcebispo, que traça um
quadro alarmante do País: "mais de 6 milhões de pessoas
correm risco de passar fome (em um total de 12 milhões); 80% da
população vive abaixo do nível da pobreza, não
há combustível, os bancos bloquearam as contas correntes...se
entende facilmente que a situação é realmente explosiva".
"A tudo isso junta-se o regime opressivo instaurado por Mugabe.
Os seus aliados estão em todas as partes. controlam a polícia,
as forças armadas, os serviços secretos, a economia nacional.
O principal opositor do atual governo, Morgan Tsvangirai, é constantemente
ameaçado e também ´+e acusado de tentativa de assassinato
de Mugabe. Digam-me, que democracia é esta?"
Neste contexto, a Igreja Católica trabalha em favor da paz e em
ajuda à população. "Juntamente com outras Igrejas
cristãs, estamos empenhados em fazer a mediação entre
o governo e a oposição.
Até o momento porém, todas as propostas para tirar o País
da crise na qual foi precipitado foram rejeitadas pelo regime. No plano
humanitário, a Comissão justiça e Paz de esforça
para defender os direitos humanos e para levar ajuda e conforto às
vítimas da tortura.
Os métodos utilizados pelos que mantém o regime, não
são diferentes daqueles de outras ditaduras de fundo populista-marxista.
Particularmente grave é o uso da corrente elétrica para
torturar as pessoas".
Dom Ncube recorda também a tragédia de mais de 1 milhão
de crianças que ficaram órfãs por causa da Aids.
Temos programas de assistência para dar a eles o que comer e mandá-los
à escola. Porém, não podemos sozinhos resolver estes
problemas".
Fides
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