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ÁFRICA: 17/11/2004
Vida Eclesial
João Paulo II anuncia um novo Sínodo
de bispos da África
João Paulo II anunciou que convocará o segundo sínodo
da história dos bispos da África, depois do celebrado em
1994. O pontífice anunciou esse sábado, ao final da audiência
geral que concedeu aos participantes do primeiro Simpósio de bispos
da África e Europa, que se celebrou em Roma, de 10 a 13 de novembro.
Foi organizado pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa
(CCEE) e o Simpósio das Conferências Episcopais de África
e Madagascar (SECAM), com o patrocínio da Congregação
vaticana para a Evangelização dos Povos e colaboração
de organismos de solidariedade.
O encontro, que congregou cerca de 60 bispos de 50 nações,
tinha por tema: "Comunhão e solidariedade entre África
e Europa: Cristo nos chama, Cristo nos convida". "Acolhendo
as propostas do Conselho pós-sinodal, intérprete dos desejos
dos pastores africanos, aproveito a oportunidade para anunciar minha intenção
de convocar uma segunda assembléia especial para a África
do Sínodo dos Bispos", anunciou João Paulo II sem especificar
as datas.
O primeiro encontro de bispos africanos foi celebrado no Vaticano, de
10 de abril a 8 de maio de 1994, no contexto de sínodos continentais
convocados pelo pontífice que tinham por objetivo preparar a Igreja
para o grande Jubileu do ano 2000. As conclusões daquele sínodo
foram recolhidas pelo Papa na exortação apostólica
Ecclesia in Africa (14 de setembro de 1995). Enquanto se prepara a celebração
deste sínodo, o Papa convida os fiéis à "implorarem
ao Senhor o dom precioso da comunhão e da paz para a amada terra
da África".
Desta forma, estimulou encontros como este primeiro simpósio de
bispos africanos e europeus (prevê-se a celebração
de outro entre bispos da África e da América), pois aumentam
"a comunhão entre as Igrejas, enfrentando conjuntamente problemas
de comum interesse". Em um balanço do simpósio realizado
este domingo pelo informativo internacional de "Rádio Vaticano",
são recolhidas algumas de suas conclusões fundamentais.
"A primeira é a autêntica comunhão e o sentido
de uma colaboração efetiva para o anúncio do Reino",
constata. "Os bispos compreenderam melhor em que condições
trabalham seus irmãos nas Igrejas particulares e viram quais opções
pastorais de um poderiam ajudar os outros. Por este motivo, decidiu-se
criar um grupo de trabalho para continuar de maneira concreta este diálogo".
A segunda conclusão foi a constatação comum da "necessidade
de evangelizar mais as estruturas políticas, o que significa encontrar
modos para aplicar a doutrina social da Igreja".
Em terceiro lugar, acrescenta a emissora pontifícia, "falou-se
também da formação dos fiéis leigos para que
dêem um testemunho cada vez mais incisivo na sociedade". Os
bispos querem constituir, também, um grupo em nível internacional
para resolver o problema da dívida externa dos países pobres
e recordaram aos países desenvolvidos o compromisso assumido de
destinar 0,7% do produto interno bruto à ajuda ao desenvolvimento.
Refletiu-se também sobre a possibilidade de que as dioceses da
África e da Europa troquem recursos humanos, em particular leigos,
seminaristas e sacerdotes. Um dos aspectos mais debatidos foi o do envio
de sacerdotes africanos como missionários à Europa. Alguns
prelados constataram que esta última prática deixa a Igreja
na África sem forças vitais necessárias e nem sempre
estes presbíteros encontram a "justa" acolhida em comunidades
européias. O simpósio concluiu-se com uma mensagem de esperança
dos bispos de ambos os continentes a seus fiéis.
Zenit
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