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ÁFRICA: 20/12/2004
Paz
Papa pede que a África tenha um papel
de protagonista no cenário mundial
A mensagem de João Paulo II para o Dia Mundial da Paz (1 de janeiro
de 2005), publicada esta quinta-feira, dá voz ao drama do continente
esquecido pelo sistema informativo, comercial e econômico global:
a África. O chamado do Papa pode-se concentrar em uma pergunta
que ele mesmo propõe com estes termos: "Como não pensar
no querido continente africano, onde persistem conflitos que provocaram
e seguem provocando milhões de vítimas?".
A carta aborda desta forma "os muitos problemas que barram o desenvolvimento
do continente africano": "pensemos nos numerosos conflitos armados,
nas enfermidades pandêmicas, mais perigosas ainda pelas condições
de miséria, na instabilidade política unida a uma difusa
insegurança social". O bispo de Roma advoga por "um caminho
radicalmente novo para a África: é necessário dar
vida a novas formas de solidariedade, bilaterais e multilaterais, com
um maior compromisso por parte de todos e tomando plena consciência
de que o bem dos povos africanos representa uma condição
indispensável para conseguir o bem comum universal".
"É de desejar que os povos africanos assumam como protagonistas
sua própria sorte e o próprio desenvolvimento cultural,
civil, social e econômico", reconhece o pontífice, que
acaba de anunciar a convocação do segundo sínodo
de bispos da história que discutirá entre outras coisas
estes problemas. "Que a África deixe de ser só objeto
de assistência para ser sujeito responsável de um modo de
compartilhar real e produtivo", exige o Santo Padre.
"Para alcançar tais objetivos, é necessária
uma nova cultura política, especialmente no âmbito da cooperação
internacional", reconhece. "Talvez recordar uma vez mais que
o descumprimento das reiteradas promessas relativas à ajuda pública
para o desenvolvimento e a questão ainda aberta da pesada carga
da dívida internacional dos países africanos e a carência
de uma consideração especial com eles nas relações
comerciais internacionais são graves obstáculos para a paz,
e, portanto, devem ser enfrentados e superados com urgência".
"Para conseguir a paz no mundo, é determinante e decisivo
hoje tomar consciência da interdependência entre países
ricos e pobres, pelo que o desenvolvimento ou se converte em um fato comum
a todas as partes do mundo, ou sofre um processo de retrocesso mesmo nas
zonas marcadas por um constante progresso".
Zenit
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