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ÁFRICA DO SUL: 25/11/2004
Imigrantes
O tratamento dos imigrantes vindos do Zimbábue
"Os imigrantes clandestinos são cada mais vistos por boa
parte da população sul-africana como o maior problema do
país", afirma à Agência Fides Pe. Arcangelo,
carlista, que se ocupa da assistência aos refugiados no Scalabrini
Development Agency de Cidade do Cabo, comentando o relatório "No
War in Zimbabwe", apresentado pelo Solidarity Peace Trust, um conjunto
de associações que se ocupa de imigração na
África do Sul, ao qual adere também a Igreja católica.
O relatório é dedicado às difíceis condições
de vida dos cidadãos do Zimbábue, que procuram refúgio
na África do Sul. "Essas pessoas fogem das perseguições
políticas do regime de Robert Mugabe, Presidente do Zimbábue,
e da dura situação econômica que viu, nos últimos
anos, a queda da produção agrícola, por causa da
reforma agrária mal concebida e mal aplicada", afirma pe.
Arcangelo. "Entre as pessoas que procuram refúgio na África
do Sul, estão diversos intelectuais, que são perseguidos
por se oporem ao regime.
Entre os refugiados, infelizmente, se infiltram também criminosos,
e isso gera medo e ressentimento entre a população sul-africana",
afirma Pe. Arcangelo. "O governo sul-africano, por motivos de boa
vizinhança e para não irritar o Presidente Mugabe, nega
o status de refugiado político aos cidadãos do Zimbábue
que procuram asilo na África do Sul. Esta política suscitou
profundas críticas por parte de diversas organizações
humanitárias internacionais e de organismos das Nações
Unidas", afirma o missionário.
Segundo o relatório "No War in Zimbabwe", de 3 a 4 milhões
de pessoas deixaram o Zimbábue nos últimos anos, cerca de
65% da população ativa adulta. Desses, um milhão
e 700 mil pessoas buscaram refúgio na África do Sul, incluindo
500 mil imigrantes regulares que trabalham no país. Os imigrantes
considerados clandestinos são enviados para o Lindela Deportation
Centre, nas proximidades de Johanesburgo, para serem repatriados. Diversas
organizações humanitárias denunciaram as condições
de vida no Centro.
"Uma ou duas vezes por semana os imigrantes são repatriados
com um trem para Zimbábue ou Moçambique. Existem também
diversos moçambicanos que são rejeitados pela África
do Sul", afirma Pe. Arcangelo. "Às vezes, criam-se situações
paradoxais, quando cidadãos de Moçambique são conduzidos
para a fronteira com o Zimbábue, ou, vice-versa, cidadãos
do Zimbábue são enviados para Moçambique." "A
imigração é vista como um problema crescente por
parte de muitos sul-africanos.
São principalmente os mais pobres e os menos instruídos
que temem que os estrangeiros possam se tornar seus concorrentes",
afirma Pe. Arcangelo. "O drama dos imigrantes incide sobre uma situação
social difícil, e tem o risco de que estes se tornem o bode expiatório
das contradições sul-africanas. É preciso maior humildade
por parte de todos para resolver juntos os problemas desta terra, que
diz respeito seja à África do Sul seja aos países
africanos", conclui o missionário.
Fides
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