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ARÁBIA SAUDITA: 09/12/2004
Perseguição
Perigo de cárcere para os não-muçulmanos
Para o padre Bernardo Cervellera -missionário e jornalista- os
governos dos países onde há cristãos deveriam escutar
o desejo dos fiéis deste credo "de ter ao menos um mínimo
de reciprocidade entre a liberdade que os muçulmanos da Arábia
Saudita possuem no exterior e a liberdade que os cristãos deveriam
ter na Arábia Saudita". O sacerdote do Pontifício Instituto
de Missões Exteriores (PIME) dirige a agência "AsiaNews",
que -junto a outros sites da internet- apoiou a campanha internacional
graças à qual há pouco mais de um mês foi libertado
Brian Sávio O'Connor, um cidadão indiano acusado, torturado
e encarcerado em Riad por suposta "evangelização cristã".
Após sua libertação, O'Connor alertou de que "nas
prisões sauditas há ainda muitos outros 'Brian'" esperando
ajuda. Oito milhões de estrangeiros trabalham atualmente na Arábia
Saudita, onde -como descreve o padre Cervellera- "está permitida
a expressão pública somente do islã e do islã
Wahabita" (pertencente a uma seita fundamentalista iniciada por Mohamed
Ibnd Abdul Wuahab na Arábia Central, que interpreta o Alcorão
de forma muito literal.) "Até poucos anos atrás (na
Arábia Saudita), para um cristão estava proibido rezar inclusive
em particular.
Agora, ao contrário, por causa da pressão internacional,
os príncipes sauditas deram permissão aos cristãos
de orar ao menos em particular e de poder reunir-se desta forma",
explicou nos microfones de "Rádio Vaticano". "Mas
lamentavelmente -acrescentou- a polícia e grande parte da sociedade
saudita não aceitam esta liberalização, pelo que
os cristãos são presos". De fato, segundo o missionário
do PIME, "houve muitíssimos casos nestes anos de pessoas que
foram detidas, torturadas e, sob pressão internacional libertadas,
mas em todo caso expulsas".
"Não se sabe bem o que ocorre nas prisões sauditas",
mas "Brian foi torturado durante horas, amarrado cabeça abaixo,
espancado", recorda o padre Cervellera. Opina que "não
há que ter medo de denunciar esta situação, porque
a Arábia, que entre outras coisas, é um país petrolífero,
um país rico, não pode permitir-se tratar assim os estrangeiros,
os quais o país aproveita pelo trabalho, sem permitir-lhes a liberdade
de professar sua fé".
Zenit
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