|
PIME-Net
ARGÉLIA: 24/11/2004
Testemunho
Bispo assassinado, luz para o diálogo
islâmico-cristão
Dom Pierre Claverie, bispo assassinado na Argélia em 1996, deixou
com sua vida dois caminhos importantes para o diálogo entre muçulmanos
e cristãos: cordialidade e realismo como constata um novo livro.
A obra, dedicada ao bispo de Orã, foi escrita por Jean-Jacques
Pérennès, OP, professor do Instituto de Estudos do Cairo,
responsável pelos dominicanos que vivem nos países árabes.
Durante dez anos ele esteve ao lado de dom Claverie.
O livro com o titulo: "Bispo entre os muçulmanos,
Pierre Claverie, mártir na Argélia".
O volume foi apresentado no dia 18 de novembro no centro cultural da
embaixada francesa na Santa Sé, com a participação
do autor; do arcebispo Michael L. Fitzgerald, presidente do Conselho Pontifício
para o Diálogo Inter-religioso, e de Vincent Aucante, diretor do
Centro anfitrião. Ao tomar a palavra, dom Fitzgerald reconheceu
que "todas as qualidades enumeradas sobre o papel de um bispo são
encontradas certamente em Pierre Claverie, em especial a amizade.
Podemos dizer que Pierre levava consigo a amizade. Era amigo de todos,
e sabemos como é difícil a situação argelina".
"Foi um exemplo cristão, amava os membros de sua família
natural e de sua família religiosa, uma amizade, esta última,
conectada ao trabalho profissional e seu ministério pastoral",
acrescentou o prelado britânico. Ao explicar como dom Pierre Claverie
conseguiu estabelecer o diálogo entre o islã e o cristianismo,
o padre Pérennès, declarou a Zenit:
"Lançou uma luz original ao encontro entre cristãos
e muçulmanos, enfrentando o diálogo de maneira calorosa,
mas também realista, consciente das dificuldades do encontro enquanto
aos dogmas da fé". "Dava prioridade às relações
humanas, ainda que esta postura se nutria de fé e valor. Deu a
vida por suas convicções, em solidariedade com todos os
argelinos, que sonham com uma Argélia futura aberta".
Quanto a sua amizade com dom Claverie, o autor afirmou:
"Tenho muitas lembranças que me unem a ele. A mais forte
é a do dia de minha ordenação sacerdotal. E ainda
me sinto muito perto dele. Escrevi este livro para continuar dando voz
a alguém que quiseram calar com o assassinato". Pierre Claverie,
nascido em Argel, em 1938, no bairro de Bab el-Oued, que ele mesmo chamava
a "bolha colonial", foi assassinado com uma bomba em 1º
de agosto de 1996, junto a seu jovem motorista muçulmano, Muhammed
Pouchikini.
O dominicano, que havia dedicado toda sua vida em favor do diálogo
entre muçulmanos e cristãos, tinha um tal profundo conhecimento
do islã que, segundo informava a revista católica britânica
"The Tablet" (10 agosto de 1996), com freqüência
era consultado nesta matéria pelos próprios muçulmanos.
A Argélia sofreu o terrorismo do Grupo Islâmico Armado (GIA)
desde 1992 até o ano 2000.
Nesses anos, 19 religiosos foram assassinados no país, entre eles
se encontram sete monges trapistas de Nossa Senhora do Atlas (Thibirine),
além de dom Claverie. O livro do padre Jean-Jacques Pérennès,
originalmente escrito em francês, foi traduzido ao árabe
e se prepara uma versão em língua inglesa.
Zenit
Home-page
© 2004 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail
|