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BRASIL: 14/12/2004
Governo e Igreja
Episcopado brasileiro reage a intentos do
governo de revisar lei do aborto
"Necessitamos de uma educação para a convivência
fraterna e não fratricida. O respeito aos indefesos e à
vida frágil é expressão de verdadeira cultura e humanidade",
afirma a presidência do episcopado brasileiro. Com essas palavras,
assinadas pelo cardeal Geraldo Majella Agnelo, a CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil), organismo presidido pelo purpurado, reagiu
às intenções manifestadas pelo governo brasileiro
de revisar a lei do aborto.
A proposta de revisão da tecnicamente chamada "legislação
punitiva da antecipação da gestação"
é um dos pontos do Plano Nacional de Política para Mulheres,
lançado essa quarta-feira pelo governo. A revisão da legislação
teria como objetivo ampliar as permissões para o aborto. Atualmente,
a lei brasileira permite o aborto em casos de risco de vida para a gestante
e gravidez provocada por estupro.
Essa quinta-feira, a ministra da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres, Nilcéa Freire, defendeu a revisão sobre
a legislação do aborto. A ministra afirmou que a partir
de janeiro uma comissão formada por governo, Congresso e sociedade
civil fará a revisão dos instrumentos legais existentes
no país sobre o assunto. Diante da intenção do governo
de ampliar as possibilidades legais de interrupção da gravidez,
"a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil, como em outras ocasiões, volta a pronunciar-se sobre a
inviolabilidade do direito à vida que atinge a todo ser humano",
afirma a nota.
"Como fizemos em várias oportunidades, especialmente ao longo
deste ano, reafirmamos o princípio ético do pleno respeito
à dignidade e à vida do ser humano, não importando
o estágio de seu desenvolvimento ou a condição em
que ele se encontra. Este princípio, que fundamenta todos os demais
direitos da pessoa, é base e condição para a convivência
social digna, justa e solidária", diz o texto assinado pelo
cardeal Agnelo. "Apelamos a todos para cultivarmos uma cultura da
vida e não da morte.
O menosprezo pela vida humana tem levado aos maiores desatinos pessoas
e governos no passado e no presente e a uma escalada de violência,
insegurança, vingança, assassinatos, assaltos, roubos e
aumento da miséria e da fome. Necessitamos de uma educação
para a convivência fraterna e não fratricida. O respeito
aos indefesos e à vida frágil é expressão
de verdadeira cultura e humanidade". "Ajude-nos Deus a provarmos
que só o amor ao semelhante, começando pelo respeito à
vida, pode garantir a paz verdadeira", encerra a nota.
Zenit
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