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BRASIL: 20/12/2004
Testemunho
Homenagem ao católico brasileiro que
salvou centenas de judeus durante o nazismo
A Fundação Internacional Raoul Wallenberg celebrou a semana
internacional dos Direitos Humanos rendendo homenagem ao diplomata brasileiro
Luiz Martins de Souza Dantas (1876-1954), que salvou vidas de judeus durante
a perseguição nazista. O ato culminante das celebrações
aconteceu no Consulado Geral do Brasil na cidade de Nova York, em 6 de
dezembro de 2004. Motivado pelo que ele mais tarde chamou de um "sentimento
de misericórdia cristã", Souza Dantas concedeu vistos
diplomáticos a centenas de judeus perseguidos pelo regime nazista
durante a Segunda Guerra Mundial, informou a Fundação Wallenberg.
A cerimônia incluiu a apresentação da biografia de
Souza Dantas, "Quixote nas trevas", obra do professor Fabio
Koifman. Segundo Koifman, Souza Dantas salvou com sua ação
ao redor de oitocentas pessoas do extermínio, contrariando as ordens
emitidas pela administração do então presidente do
Brasil, Getúlio Vargas. O embaixador, que durante vinte anos conduziu
a missão diplomática brasileira na França, concedeu
vistos diplomáticos para entrar no Brasil a centenas de pessoas
que desde o ponto de vista da política de imigração
brasileira eram consideradas indesejáveis, entre elas numerosos
judeus.
Em junho de 2003 foi reconhecido como "Justo entre as Nações".
Foi um dos poucos a receber tal honra do Museu do Holocausto, em Israel,
concedida somente a quem, sob o jugo nazista, arriscou-se pelo bem de
outras pessoas.
Baruj Tenembaum, fundador da IRWF e John Crisóstomo, vice-presidente
e coordenador das Comemorações do 50.º aniversário
de Aristides de Sousa Mendes e Souza Dantas, entregaram o Prêmio
Souza Dantas 2004 a Koifman e ao Cônsul Geral do Brasil em Nova
York, embaixador Julio Gomes dos Santos, por seu sincero compromisso para
honrar o ilustre brasileiro e expandir seu legado no atual ambiente diplomático
mundial.
No encontro participaram delegações diplomáticas
da Santa Sé, Suécia, Argentina, Israel, Suíça,
Bélgica, Bulgária, México, Turquia, República
Checa, China, El Salvador e Angola. No curso do ato se leu uma mensagem
dirigida aos presentes pelo cardeal Angelo Sodano, secretário de
Estado; por Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, e por Tom Lantos,
representante do Congresso dos Estados Unidos. O encerramento da cerimônia
esteve a cargo do embaixador Gomes dos Santos, que convidou Tenembaum
a descerrar o retrato do diplomata brasileiro, cujo nome foi dado ao auditório
principal do consulado, "para sempre", disse Gomes dos Santos.
Zenit
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