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BUTÃO: 02/02/2004
Reino de Butão proíbe aos cristãos
orar em público
Perseguição
O temor às conversões é a "paranóia"
do governo, denuncia o bispo local. No pequeno reino budista de Butão,
nas montanhas do Himalaia, os cristãos estão proibidos de
celebrar liturgias ou orar publicamente e aos sacerdotes é negado
o visto de entrada, segundo denunciou o bispo da diocese indiana de Darjeeling,
Dom Stephen Lepcha.
Darjeeling, a 1.450 quilômetros ao leste de Nova Délhi,
está muito próxima à fronteira indiana com o Nepal.
A diocese compreende também o pequeno território de Butão,
cuja Igreja atravessa dificuldades. Em Butão, o budismo é
a religião do Estado e está proibida toda forma de missão
das demais religiões. De acordo com o prelado, até alguns
anos atrás, os cristãos que haviam imigrado ali partindo
da Índia e do Nepal: médicos, engenheiros, professores,
artesãos, eram livres para participar de Eucaristias em público.
"Mas com a chegada do terceiro milênio, os serviços
religiosos em público estão proibidos, e quem viola esta
norma vai para a prisão", confirmou Dom Lepcha, em declarações
publicadas pela agencia de noticias "Asianews". Igualmente denuncia
que aos sacerdotes indianos é negado o visto de entrada: "Antes
eu mesmo podia ir e celebrar a Eucaristia em público.
Mas, nos últimos três anos, não me concederam nenhuma
permissão para entrar no país", apesar de que os cidadãos
indianos têm direito de entrar em Butão solicitando visto.
Os habitantes de Darjeeling têm traços orientais e com freqüência
são confundidos com mongóis, circunstância que faz
também mais difícil sua entrada.
De fato, aos sacerdotes que chegam de outras regiões da Índia,
com características físicas diferentes, é tornada
mais fácil a entrada, ao menos como turistas. O bispo Lepcha afirma
que frente aos sacerdotes com traços mongóis, as autoridades
são mais ativas porque parecer com os habitantes de Butão
lhes permite integrar-se melhor com as comunidades, favorecendo sua conversão
ao cristianismo. E o temor ao proselitismo é uma "paranóia"
do governo, constata o prelado.
Do ponto de vista oficial, as autoridades de Butão dizem que é
possível celebrar a Eucaristia nas casas particulares. Mas "como
podem os cristãos celebrar missas em particular, se as autoridades
não permitem aos sacerdotes entrar no país?", questiona.
Pelo menos, os católicos de Timphu, a capital, puderam celebrar
a missa de Natal em particular. "Temos um sacerdote que pode entrar
em Butão sempre que quiser", explica Dom Lepcha: trata-se
do jesuíta Kinley Tshering, primeiro sacerdote católico
de Butão, familiarizado com a família real, cuja conversão
se remonta aos anos 70.
Não permitir aos sacerdotes católicos entrar no país
para atender as necessidades espirituais dos católicos que não
são de Butão é uma política que o bispo qualifica
de "não razoável" e "ingrata": muitos
sacerdotes católicos no passado ajudaram o governo a fundar e estruturar
a educação no país.
As rígidas medidas de segurança contra a evangelização
começaram quando os pastores protestantes começaram a evangelizar
a população de Butão e houve conversões. O
governo se alarmou e decidiu reprimir a evangelização. De
todas as formas, Dom Lepcha declara que seus sacerdotes não pretendem
fazer "proselitismo", mas desejam ocupar-se dos cristãos,
vítimas desta política das autoridades.
AsiaNews
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