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FILIPINAS: 06/12/2004
Diálogo Inter Religioso
Muçulmanos, cristãos e indígenas
unem-se na "Semana da Paz" em Mindanao
Mais de 3 mil pessoas -entre muçulmanos, cristãos e indígenas
lumads- de Mindanao, cenário de violência e confrontos religiosos,
participaram na quarta-feira da cerimônia conclusiva da "Semana
da Paz" celebrada na grande ilha do sul das Filipinas por iniciativa
de bispos cristãos e líderes muçulmanos. Uma marcha,
uma procissão de tochas e um chamado à paz encerraram o
evento. A procissão partiu da catedral de Nossa Senhora Mediadora
de todas as Graças para chegar à praça central da
cidade de Kidapawan.
Os participantes comprometeram-se a levar um testemunho concreto de paz
às diferentes comunidades de procedência. A assembléia
pediu também ao governo e aos rebeldes que respeitem os direitos
da população de Mindanao, cujo desejo é viver em
paz. Entre 25 de novembro e 1 de dezembro, a sexta edição
da "Semana da Paz" dedicou-se ao tema "Uma família
reconciliada, agente de reconciliação". É uma
iniciativa do "Bishop-Ulema Forum" (Conferência Bispos-Ulemas),
organismo que reúne os bispos católicos e protestantes com
os líderes muçulmanos da comunidade islâmica, que
vivem nas Filipinas meridionais.
Aludindo ao tema deste ano, os líderes cristãos e islâmicos
do "Fórum" mostraram-se de acordo em que "a família
é a célula fundamental da sociedade". "Muitas
famílias, cristãs, muçulmanas e indígenas
--dizia o documento que anunciou a "Semana da Paz", segundo
citou "Fides"--, viram-se afetadas pelos conflitos ocorridos
nos últimos anos em Mindanao. Sempre promovemos a reconciliação,
ensinada na Bíblia e no Alcorão, que se pode alcançar
por meio de um sincero perdão".
O bispo local, dom Romulo Valles, interveio na cerimônia final
da "Semana da Paz" pedindo que os pais sejam exemplos para os
filhos e levem a paz aos lares. "A paz começa na vossa família
-sublinhou-: peço aos pais aqui presentes que sejam agentes de
paz em suas famílias e em sua comunidades". Dom Valles mostrou
igualmente reconhecimento pelos esforços que muitas associações,
escolas e institutos realizam para infundir nos jovens uma cultura do
diálogo e da paz.
Desde seu nascimento em Zamboanga, em 1998, a "Semana da Paz"
realiza seminários, congressos, encontros de oração,
manifestações e campanhas de sensibilização
em todos os níveis promovidos nas ruas, escolas e centros culturais,
onde cristãos e muçulmanos se esforçam em testemunhar
que o diálogo inter-religioso é o caminho para a harmonia
social e a paz no sul das Filipinas. As celebrações deste
ano desenvolveram-se em um momento muito delicado para o processo de paz
na região, bloqueado há mais de um ano.
Após o "cessar-fogo" firmado em julho passado, o governo
e o maior movimento da guerrilha muçulmana - "Frente Moura
de Libertação Islâmica" - ainda não reiniciaram
oficialmente as negociações, ainda que os observadores apontem
que as partes estariam próximas do início de novas conversações.
No contexto de Mindanao, onde há comunidades muçulmanas
muito numerosas e os grupos fundamentalistas são uma ameaça,
a "Conferência Bispos-Ulemás" desempenha uma tarefa
essencial ao pôr seu empenho no diálogo inter-religioso.
Recorre-se à conferência para mediar entre o exército
e a guerrilha ou para libertar reféns.
Zenit
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