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FRANÇA: 17/08/2004
Defesa da Vida
Papa encerra sua viagem a Lourdes com apelo
para defender a vida
O chamado a defender a vida humana em uma sociedade ameaçada pelo
materialismo converteu-se na mensagem que João Paulo II deixou
em Lourdes no ato culminante da viagem internacional número 104
de seu pontificado. Escutavam o pontífice no campo da explanada
do santuário, durante a celebração eucarística,
mais de trezentos mil peregrinos, entre eles cerca de dois mil enfermos,
assim como numerosos jovens.
Desde o lugar no qual, segundo a narração das aparições,
em 1858, a Virgem Maria apareceu à jovem Bernadete Soubirous, o
bispo de Roma dirigiu em particular seu chamado às mulheres. "Em
nossa época que sente a tentação do materialismo
e da secularização", a mulher é chamada a "ser
testemunha na sociedade atual dos valores essenciais que só se
podem perceber com os olhos do coração", assegurou
o Santo Padre.
O pontífice teve de fazer um grande esforço para ler sua
homilia. Os espaços de silêncio de que necessitava para recuperar
o alento eram com freqüência acompanhados pelos aplausos dos
peregrinos. "A vós, mulheres, corresponde ser sentinelas do
Invisível", acrescentou o pontífice em uma manhã
marcada por um sol implacável, na qual as temperaturas eram superiores
às costumeiras, obrigando os presentes a esgotar as mais de trezentas
mil garrafas de água distribuídas pelos organizadores.
"A vida é um dom sagrado do qual ninguém pode apropriar-se",
afirmou. Durante sua intervenção, dirigiu também
palavras especiais aos jovens, convidando-os a descobrir em Cristo o sentido
de sua existência, mensagem central da Virgem em Lourdes, "segredo
da autêntica alegria e da paz". Ao final da celebração
eucarística, antes de rezar a oração do Ângelus,
o pontífice recordou os diferentes encontros que em suas sete visitas
à França manteve com a juventude, confessando que "estes
encontros foram o sinal de uma grande esperança".
A todos os presentes, deixou uma mensagem: "sede mulheres e homens
livres! Mas recordai: a liberdade humana é uma liberdade marcada
pelo pecado. Também tem necessidade de ser libertada. Cristo é
o libertador, ele que "nos libertou para que sejamos verdadeiramente
livres". Defendei vossa liberdade". A visita pontifícia
aos santuários da pequena cidade dos Pirineos aconteceu no 150º
aniversário da proclamação, por parte do Papa Pio
IX em 1854, do dogma da Imaculada Conceição.
Por outro lado, neste domingo a Igreja celebrava a solenidade da Assunção
de Maria ao Céu. Ambos os dogmas, assegurou o Papa na homilia,
"estão intimamente ligados", "proclamam a glória
de Cristo redentor e a santidade de Maria, cujo destino humano foi perfeita
e definitivamente realizado em Deus". Durante a celebração
o Papa não escondeu o cansaço nem a alegria de visitar pela
segunda vez, entre milhares de enfermos, a Gruta de Massiebelle.
Na eucaristia, o governo francês esteve representado pelo ministro
do interior, Dominique de Villepin, e o ministro da saúde e ex-prefeito
de Lourdes, Phillippe Douste-Blazy. João Paulo II concluiu sua
visita com um intenso momento de oração pessoal na Gruta
de Massabielle. A viagem recebeu uma extraordinária cobertura por
parte dos meios de comunicação franceses, que em sua maioria
lhe dedicaram mais espaço que à abertura dos Jogos Olímpicos
de Atenas.
Zenit
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