|
PIME-Net
GUINÉ-BISSAU: 11/10/2004
Política
Calma aparente em Bissau depois da revolta
militar
"A cidade está aparentemente calma. Não se vêem
movimentações de soldados. Muitas crianças, porém,
não foram às aulas. As famílias por prudência
preferiram deixar as crianças em casa", afirmam à Agência
Fides fontes locais, que por motivos de segurança preferem não
ser citadas. Em Bissau ,em 6 de outubro, em uma revolta militar, foi assassinado
o comandante do exército, o general Veríssimo Seabra, e
o porta-voz do exército, o tenente-coronel Domingos Barros.
"O número 2 do exército, o general Emiliano Costa,
teria conseguido fugir da casa circundada por militares rebeldes",
dizem as fontes da Fides. Os insurgentes acusam os outros vértices
militares pela falta de pagamento dos salários das tropas, que
integravam a força de paz da ONU na Libéria, como confirmam
as fontes da Fides: "Os soldados que insurgiram pertencem ao contingente
da Guiné-Bissau que voltou da Libéria.
O escritório das Nações Unidas depositou para o
Alto Comando do exército os salários dos militares para
a missão liberiana, mas os soldados receberam somente uma pequena
soma; o restante permaneceu nas mãos de poucos altos oficiais".
"A motivação econômica da revolta soma-se àquela
política", afirma à Agência Fides, Pe. Davide
Sciocco, missionário do PIME que acaba de voltar de uma longa missão
na Guiné-Bissau, em que teve a oportunidade de conhecer profundamente
o país.
"Os soldados enviados à Libéria, de fato, apoiavam
o ex-Presidente Kumba Yala, deposto no ano passado por um violento golpe
guiado por Veríssimo Seabra. Os 500 soldados de volta da Libéria
sentiram-se assim traídos duas vezes: pela falta de salário
e por terem sido ignorados no golpe de 2003". O governo criou uma
comissão de mediação para tratar com os insurgentes,
que se retiraram das casernas.
"A comissão é guiada pelo Ministro do Exterior e compreende
o Ministro do Interior e o representante da ONU em Bissau. Estranhamente,
não participa o Ministro da Defesa", afirmam as fontes da
Fides. "A reunião deveria iniciar à 9 horas, hora local".
A Guiné-Bissau é um país pobre, que há anos
vive entre guerras civis e golpes de estado militares.
"A instabilidade do país deve-se principalmente à
extrema pobreza. 80% da população ativa está desempregada;
as pessoas não têm dinheiro suficiente para fazer uma refeição
por dia. Como é possível raciocinar com pessoas que se levantam
de manhã com a barriga roncando? É fácil falar de
paz e de direitos com a barriga cheia", afirmam as nossas fontes.
Fides
Home-page
© 2004 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail
|