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SOMÁLIA: 07/10/2004
Testemunho Missionário
"Há um ano de sua morte, a herança
de Annalena Tonelli está mais viva do que nunca"
"A obra de Annalena Tonelli continua além de toda esperança",
afirma à Agência Fides, Dom Giorgio Bertin, Bispo de Gibuti
e Administrador Apostólico de Mogadíscio, recordando Annalena
Tonelli, a voluntária italiana assassinada um ano atrás
em Borama, no extremo noroeste da Somália, na fronteira com a Etiópia
e com Gibuti, no chamado Somaliland - o Estado separatista no norte da
Somália. Em 5 de outubro de 2003, desconhecidos organizaram uma
emboscada para a voluntária, enquanto se preparava para deixar
a clínica para os doentes de tuberculose por ela dirigida e fundada.
"Passado um ano, ainda não conhecemos com precisão
nem o motivo nem a identidade dos assassinos", afirma Dom Bertin.
"Provavelmente, Annalena foi morta por ser representante do mundo
ocidental e cristão. Para confirmar esta tese, alguns dias atrás,
sempre no norte da Somália, um casal de anciãos ingleses
foi assassinado", afirma o Bispo. Annalena Tonelli desde 1969 cuidava
dos doentes em Borama.
Annalena, porém, não era médica, era advogada, que
ao invés de empreender esta carreira, decidiu dedicar a própria
vida ao cuidado dos mais pobres. O hospital por ela fundado dispõe
de 200 leitos para os doentes de tuberculose. Mesmo não sendo formada
em medicina, todavia Annalena era conselheira da Organização
Mundial da Saúde no campo do Controle da Tuberculose, e foi pioneira
da Global Policy lançada pela OMS em 1993 para o controle da Tuberculose
no mundo, chamada DOTS (Directly Observed Therapy Short Chemotherapy).
"A clínica criada por Annalena continua a atuar, graças
a um grupo de somalis que assumiram o projeto", afirma Dom Bertin.
"Infelizmente, os principais colaboradores de Annalena foram obrigados
a deixar a região por motivos de segurança. No entanto,
um ou dois somalis emigrados voltaram para o país para prestar
seus serviços na clínica de Borama. Diversos doentes que
tinham uma relação de confiança com Annalena preferiram,
porém, ir embora". "A clínica de Annalena recebe
ajudas por parte da associação para a Luta contra a fome
no mundo de Forlì, a sua cidade natal.
Outras contribuições são fornecidas por algumas
agências das Nações Unidas. Em novembro, além
disso, uma Organização Não-governamental italiana,
que já atua na região, deverá assumir a administração
da clínica. Ou seja, a herança de Annalena permanece viva
e presente", afirma Dom Bertin. Em 25 de junho de 2003 em Genebra,
o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) indicou Annalena Tonelli
para o prestigioso Prêmio Nansen para os Refugiados, concedido todos
os anos a indivíduos ou organizações que se destacam
por seu empenho em favor dos refugiados.
"A memória de Annalena está viva em todos aqueles
que a conheceram. Esta manhã, mons. Sandro De Pretis, vigário-geral
de Gibuti, celebrou em Borama uma missa de sufrágio para Annalena,
e esta noite celebrou outra aqui em Gibuti", disse Dom Bertin.
Fides
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