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VIETNÃ: 12/11/2004
Liberdade Religiosa
Nova ameaça à liberdade religiosa
preocupa fortemente o episcopado
Os bispos católicos do Vietnã estão alertando sobre
a violação da liberdade religiosa devido à entrada
em vigor, na próxima segunda-feira, da Ordem sobre crenças
e religiões adotada em 18 de junho pelo Comitê Permanente
da Assembléia Nacional do país asiático. A disposição,
fortemente restritiva, orienta-se a regular no país as atividades
religiosas e as relativas às crenças de forma que as atividades
de formação, as escolas, as celebrações, as
publicações e inclusive as reuniões ecumênicas
só poderão verificar-se sob estrito controle estatal.
Serão encarregados de garantir o respeito das normas previstas
na ordem os Comitês do Povo, o Departamento de Assuntos Religiosos
e o primeiro-ministro. A preocupação dos bispos católicos
para estas disposições evidenciou-se no curso de sua assembléia
geral do fim de setembro, quando a Conferência Episcopal vietnamita
escreveu uma carta ao Departamento de Assuntos Religiosos do governo de
Hanói afirmando que "a nova lei sobre a vida religiosa inscreve-se
ainda em um sistema de "pedido e concessão" em tema de
liberdade religiosa", uma "situação que não
é ainda a de uma plena liberdade religiosa, porque se está
sob controle".
Por sua parte, dom Etienne Nguyên Nhu Thê, bispo de Huê
(Vietnã central), pediu -através da agência do Pontifício
Instituto de Missões Estrangeiras (PIME), "AsiaNews"-
aos católicos de todo o mundo "orar pela Igreja no Vietnã".
Como explica o prelado, a ordem "não marca uma abertura suficiente"
para a plena liberdade religiosa no país, porque "permanece
nela um princípio contrário à liberdade religiosa:
o de pedir permissão e obter concessões a partir do governo"
em matéria de liberdade de credo e de culto.
"Há que solicitar sempre ao governo a possibilidade de fazer
qualquer coisa: se o governo não permitir, não se pode fazer
nada", assim que tampouco a Igreja pode "organizar-se como deveria",
alertou. Em declarações a ZENIT, o sacerdote da redação
vietnamita de "Rádio Vaticano", Giuseppe Hoang Minh Thang,
explicou que "se a lei for aplicada tal como está redigida
será o fim da liberdade religiosa". Especialista e conhecedor
da situação do país asiático, o sacerdote
constata que, visto que "não é possível destruir
a religião, por este motivo o governo tenta ter um controle total
sobre a mesma".
Com esta ordem "se tenta condicionar e utilizar as religiões
-prosseguiu-. Em relação à Igreja Católica,
a lógica é a de reforçar a Frente Patriótica
para criar uma Igreja nacional ao serviço do governo e independente
de Roma". "Já criaram uma Igreja nacional budista",
exemplificou o sacerdote vietnamita. Em julho passado também alertou
a ZENIT de que a autorização do governo vietnamita alcançará
as "nomeações do episcopado".
Até "os próprios candidatos ao sacerdócio têm
que passar pelo exame das autoridades socialistas", que decidirão
"se os seminaristas podem ser sacerdotes", denunciou então
o padre Thang. Mais de 50 milhões dos aproximadamente 80 milhões
de pessoas que habitam no Vietnã são budistas; 7 milhões
são cristãos -oficialmente 6 milhões são católicos
- e 4 milhões pertencem à religião Cao Dai.
Zenit
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