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ZIMBÁBUE: 09/09/2004
Direitos Humanos
"É nosso dever cristão
e pastoral pedir a revogação imediata de leis injustas e
repressivas"
As Igrejas cristãs em Zimbábue estão unidas para
pedir o fim dos ataques organizados por personalidades próximas
ao governo contra organizações cristãs. "Notamos
com grande preocupação os recentes ataques contra as representações,
os membros e as organizações das Igrejas cristãs
em Zimbábue, por parte dos meios de comunicação estatais
e de representantes do Estrado", lê-se em comunicado, assinado
pela Comissão para a Justiça e a Paz da Igreja católica
de Zimbábue.
"As críticas injustificadas e cheias de ódio em relação
ao Arcebispo de Bulawayo, Dom Pius Ncube, os esforços para dividir
e difamar legítimas instituições eclesiásticas,
como a Comissão Católica para a Justiça e a Paz,
a Arquidiocese católica de Harare e a Igreja Evangélica
de Zimbábue, demonstram um desprezo e uma cultura da intolerância
que se inserem muito bem na presente demonização por parte
do governo de Zimbábue das organizações da sociedade
civil e das Igrejas".
O comunicado recorda que "as Igrejas cristãs de Zimbábue
sempre foram a voz profética e a consciência da nação",
e reitera a solidariedade dos signatários para com o novo Arcebispo
de Harare, Dom Robert Ndlovu, que foi duramente criticado pelo Presidente
Robert Mugabe. No dia de sua posse na Arquidiocese da capital, em 21 de
agosto deste ano, na sua homilia o Cardeal Ndlovu recordou o papel da
Igreja na promoção e na defesa dos direitos humanos, como
o direito à vida e à liberdade de expressão e associação.
O Presidente Mugabe atacou o Arcebispo, acusando a Igreja de "interferir
na política". O comunicado responde a essas acusações,
afirmando: "Quando os representantes ou os membros da Igreja fazem
ouvir sua voz para recordar profeticamente o respeito dos direitos humanos
dados por Deus ao povo de Zimbábue, trata-se da expressão
da profunda vocação da Igreja e da comunidade cristã.
Acusar a Igreja de interferir na política demonstra a falta de
compreensão do papel e da tarefa confiada por Deus à Igreja".
Como conseqüência, os signatários do comunicado rejeitam
"os esforços para distorcer a nossa imagem e para dividir
as Igrejas cristãs e os membros da comunidade cristã no
nosso país. Apoiamos com força os líderes de todas
as denominações cristãs quando fazem ouvir a voz
da Igreja em favor dos 'sem voz' e profeticamente proclamam o respeito
pela justiça, verdade e paz no nosso país".
Neste sentido, "é nosso dever cristão e pastoral pedir
a revogação imediata das leis injustas e repressivas, responsáveis
pela restrição dos espaços democráticos da
população". Desde 2000, em Zimbábue, está
em curso um duro confronto entre o Presidente Mugabe e a oposição,
que acusa o Presidente de conduzir uma política demagógica
em relação ao confisco das terras dos agricultores de origem
européia e com ameaças à liberdade da população.
Fides
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