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BURUNDI: 02/09/2005
Mulher
O grande número de mulheres como ministras
no novo executivo
Redução do número de ministérios
e uma significativa presença de mulheres em cargos ministeriais.
Estas são as duas novidades mais relevantes da composição
do novo executivo burundinês. Foi o que afirmou à Agência
Fides uma fonte da Igreja local de Bujumbura, capital do Burundi, onde
no dia 30 de agosto, o Presidente Pierre Nkurunziza publicou a lista dos
ministros. O novo executivo conta com 20 ministros, dos quais sete são
mulheres.
“O grande número de mulheres no novo executivo
é um reconhecimento do papel assumido pelas burundinesas no processo
de paz”, afirma a fonte da Fides. “Alguns especialistas políticos
afirmam que a forte vitória do partido do Presidente deve-se também
ao voto maciço por parte das eleitoras. Nkurunziza, nomeando 7
mulheres, pagou, portanto, uma dívida de gratidão para com
o eleitorado feminino.”
“Para além dessas especulações”,
prossegue a fonte da Fides, “as mulheres burundinesas pagaram um
tributo muito alto por causa da guerra civil. Há milhares de viúvas,
que mantêm as famílias em condições muito difíceis.
Por este motivo, as mulheres estão comprometidas pessoalmente em
restabelecer a paz no país”.
Entre as nomeações mais significativas,
há a de Antoinette Batumubwira, uma Tutsi do partido do Presidente
CNDD-FDD (Conselho Nacional pela Defesa da Democracia- Forças pelas
Defesa da Democracia), que foi nomeada ministra das Relações
Exteriores e da Cooperação. Em 19 de agosto, Pierre Nkurunziza
foi eleito pelo Parlamento Presidente de Burundi, com 151 votos a favor
e somente 9 contra.
A eleição de Nkurunziza era tida como óbvia,
já que o líder do CNDD-FDD, o ex-grupo guerrilheiro hutu
que venceu as eleições legislativas de julho deste ano,
era o único candidato ao cargo máximo do Estado. A eleição
do ex-rebelde segue uma reforma constitucional que desequilibrou a política
do país em favor da maioria hutu. Até então, os tutsi,
mesmo constituindo somente 14% da população, controlavam
o poder político e militar.
Em 26 de agosto, Nkurunziza tomou posse no cargo de Presidente,
na presença de 30 delegações estrangeiras. “Uma
das prioridades do novo executivo é a de concluir o processo de
paz, chegando a um acordo com as Forças Nacionais de Libertação
(FNL), o último grupo guerrilheiro ainda ativo no país”,
afirmam as fontes da Fides. “Estamos confiantes na boa vontade do
governo, mas também, da outra parte, deve existir a disponibilidade
ao diálogo para proceder com as negociações”.
Fides
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