A Igreja no Mundo
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CHINA: 07/12/2005 Um pedido pela plena democracia foi lançado pelo bispo católico de Hong Kong no domingo como prólogo à multitudinária manifestação que com tal objetivo encheu as ruas da cidade. Superando as previsões iniciais, contam os organizadores em mais de 250 mil pessoas -aponta “AsiaNews”- as que participaram da marcha pelas ruas do centro de Hong Kong reclamando a plena democracia prevista por uma espécie de Constituição do Território -aceita por Pequim 8 anos atrás-, desde que a ex-colônia britânica passou à República Popular, mas conservando sua autonomia. Para a segurança pública, os manifestantes foram 60 mil nas primeiras horas da marcha, aos que se somaram outras 40 mil pessoas no encerramento. A agência oficial chinesa de notícias “Xinhua” cifra a participação falando de “alguns cidadãos de Hong Kong”. Sindicalistas, ativistas democráticos, associações e famílias inteiras com crianças portavam panfletos nos quais denunciavam os impedimentos que a China põe às solicitações da população, isto é, a eleição do chefe do Executivo desde a base e o sufrágio universal. Recorda a agência do Pontifício Instituto de Missões Exteriores que, em resposta aos múltiplos protestos, as autoridades -de acordo com Pequim- haviam proposto a ampliação do comitê (800 pessoas) que designa o governador. Inclusive interviera Pequim para dizer que toda reforma eleitoral para a plena democracia deve-se gerir desde a China, infringindo o princípio em que se baseia a autonomia de Hong Kong: “um país, dois sistemas”. Segundo analisa a agência citada -especialista em questões chinesas-, a elevada participação na marcha não só mostra a frustração entre a população, mas lança o primeiro sinal de desconfiança para com Donald Tsang, o governador eleito pelo comitê em junho passado, endossando uma indicação prévia de Pequim. Antes da manifestação, o bispo católico de Hong Kong, Dom Joseph Zen Ze-kun, presidiu um momento de oração, animando a população de Hong Kong a sustentar o caminho para a democracia. O prelado, como outras personalidades do território, não solicita retoques dos comitês eleitorais -como propõe Pequim-, mas o sufrágio universal e uma agenda para sua implementação em Hong Kong. Convidando à marcha em favor do sufrágio universal, os deputados democráticos de Hong Kong definiram a manifestação como um “evento que demonstrará o poder do povo”. Grupos democráticos disseram que uma grande afluência poderia mudar as propostas governamentais sobre a reforma eleitoral. De acordo com algumas pesquisas, mais de 60% da população pedem a plena democracia. Sobre a participação na manifestação do domingo, Ronny Tong Ka-wah, do grupo “Artigo 45”, comentou: “As 250 mil pessoas que marcharam dão aos deputados democráticos um novo mandato para opor-se ao pacote de reformas constitucionais propostas pelo governo e para continuar pedindo o sufrágio universal”. Por sua parte, o presidente do Partido Democrático, Lee Wing-tat, apontou que “agora Donald Tsang, o chefe do Executivo, deve dizer a Pequim que a proposta de reformas não foi aceita por Hong Kong”. Exemplos da demanda por democracia da população de Hong Kong se podem citar recordando a manifestação que no verão do ano passado levou mais de meio milhão de pessoas às ruas da cidade. Zenit |
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