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COSTA DO MARFIM: 04/11/2005
Política
A situação parece muito mais
calma do que retratam os meios de comunicação
“Na Costa do Marfim, a situação parece
muito mais calma do que retratam os meios de comunicação
locais e internacionais”, afirma um missionário de Abidjan,
capital econômica da Costa do Marfim, onde em 30 de outubro a oposição
manifestou para pedir a demissão do Presidente Laurent Gbagbo,
cujo mandato expirou. “A manifestação que se realizou
nas ruas de Abidjan correu tranqüila. Somente no momento da conclusão,
degenerou em confrontos com a polícia, que disparou alguns golpes
no ar para dispersar a multidão.
Os manifestantes, em seguida, voltaram para casa, e não
houve nem mortos nem feridos graves”, afirma o missionário.
“É necessário estar atento para evitar exageros. O
momento é certamente delicado, há tensão no ar, mas
isso não impede às pessoas de sair e a nós, missionários,
de continuar a atuar ao lado da população local”.
O Presidente Gbagbo, cujo mandato presidencial foi prolongado um ano por
uma resolução do Conselho de Segurança das Nações
Unidas, declarou que as eleições presidenciais se realizarão
“muito antes” da data estabelecida pela ONU.
O Presidente atribuiu o prolongamento do seu mandato
ao bloqueio político causado, a seu ver, pelos rebeldes. O Presidente
Gbagbo também afirmou que “dentro de alguns dias” será
nomeado um novo Primeiro-Ministro. No final de outubro deveriam se realizar
eleições presidenciais, mas as forças políticas
marfinenses não conseguiram chegar a um acordo sobre o desarmamento
das diversas facções, condição preliminar
para a realização da consulta eleitoral.
Em resposta às declarações do Presidente,
as “Forças Novas”, que controlam desde setembro de
2002 o noroeste do país, divulgaram um comunicado com o qual se
anuncia a designação do Secretário-geral das “Forças
Novas”, Guillaume Soro, como Primeiro-Ministro do futuro governo
de reconciliação nacional. Nas regiões controladas
pelas Forças Novas realizaram-se diversos protestos contra o Presidente.
Durante a manifestação de Bouaké,
a “capital” do norte nas mãos das “Forças
Novas”, os dirigentes da rebelião encontraram os representantes
das Nações Unidas na Costa do Marfim, aos quais entregaram
uma declaração com a qual pedem “a demissão
de Gbagbo”. Os rebeldes reiteram, além disso, sua rejeição
à resolução 1633, de 21 de outubro, que prolonga
o mandato do Presidente Gbagbo para uma duração “não
superior a 12 meses”, dando-lhe os poderes necessários para
organizar as eleições presidenciais.
“A situação, portanto, permanece
bloqueada e não existem, no momento, saídas. A meu ver,
as Nações Unidas devem exercitar ulteriores pressões
sobre os partidos marfinenses para que encontrem um acordo”, conclui
o missionário.
Fides
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