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ERITRÉIA: 07/11/2005
Conflitos
Novas tensões militares entre Etiópia
e Eritréia. E como pano de fundo, o fundamentalismo islâmico
“Uma possível chave de leitura das novas
manobras militares na fronteira entre Etiópia e Eritréia
é a que vê um regime em dificuldades dentro do próprio
país, que busca transferir a tensão para um inimigo externo”,
afirma Federico Battera, pesquisador na cátedra de História
da África na Universidade de Trieste, comentando o alarme lançado
pelo Secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan,
sobre as novas movimentações das tropas na fronteira entre
os dois países.
Annan exortou os governos a suspender imediatamente toda
ação que pode ser interpretada em sentido negativo ou colocar
em perigo os acordos em matéria de segurança, decididos
pelo plano de paz. “O regime da Eritréia e o seu Presidente,
Isaias Afewerki, aparecem sempre mais isolados internamente, motivo pelo
qual impôs um estreito controle sobre a população”,
afirma Battera. “A oposição eritréia é
muito variada: há diversas tendências e posições
políticas.
Neste contexto, alguns observadores externos podem estar
preocupados com um eventual reforço do extremismo islâmico
no país. A meu ver, o problema no momento está restrito
ao norte da Eritréia, onde atuam grupos armados integralistas que
têm base no vizinho Sudão. Não acredito que no resto
da Eritréia o fundamentalismo tenha, no momento, muitos adeptos”.
“É preciso considerar, porém - acrescenta o pesquisador
- a influência exercitada pelos fundamentalistas nos campos de refugiados
onde vivem há anos milhares de eritreus, que se refugiaram no Sudão.
Existe o risco de que os jovens tenham recebido uma educação
ministrada por expoentes fundamentalistas e, portanto, podemos nos encontrar
diante de uma geração que foi criada pelos integralistas
islâmicos, com todas as conseqüências que podem derivar
deste fato para o futuro do país e para toda a região. Um
outro fator que deve ser levado em consideração é
a grande capacidade financeira das organizações extremistas.
Em um país pobre como a Eritréia, este
fato pode ter um impacto desestabilizador”. Nesta situação,
alguns observadores notam que estão em constante aumento os eritreus
que buscam refúgio na Europa. Etiópia e Eritréia
se enfrentaram em uma sangrenta guerra entre 1998 e 2000, que provocou
ao menos 100 mil mortos. As hostilidades acabaram em 2000, com um acordo
em Argel que confiava a uma comissão internacional independente
a demarcação da fronteira.
Para vigiar o cessar-fogo entre os países, a ONU
mobilizou uma força militar denominada UNMEE (Missão das
Nações Unidas na Etiópia e Eritréia), composta
por 4.200 militares provenientes de 44 países de todos os continentes.
Recentemente, porém, a Eritréia decidiu interditar o próprio
espaço aéreo aos helicópteros da ONU e limitou as
movimentações terrestres dos Capacetes-azuis.
Em uma carta enviada na semana passada ao Conselho de
Segurança da ONU, o Presidente Afewerki acusou a organização
de ter perdido credibilidade por não conseguir fazer com que a
Etiópia respeite a ordem de deixar a cidade fronteiriça
de Badme, entregue à Eritréia pela comissão instituída
no acordo de paz.
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