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IRAQUE: 20/10/2005
Liberdade
Bispos propõem apelar ao Papa ante o conflito em torno da Constituição

Em declarações realizadas imediatamente depois do referendo de 15 de outubro, que aponta a um apoio majoritário àquela que será a Constituição do Iraque, os líderes eclesiais seguem manifestando seu temor de que o país esteja agora um passo mais perto de converter-se em um Estado islâmico intolerante com os não-muçulmanos.

No mês passado, o patriarca de Bagdá dos caldeus, Sua Beatitude Emmanuel III Delly, reuniu-se com o presidente e o primeiro-ministro do Iraque para manifestar a oposição dos bispos a artigos chave da Constituição que, a seu modo de ver, “abrem todas as portas” à possibilidade de criar leis injustas para os não-muçulmanos.

Em 17 de outubro, em uma entrevista a “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS), Dom Andréas Abouna, auxiliar do Patriarca Delly, disse que os líderes iraquianos haviam ignorado seus temores e que, como resultado, os bispos estavam pensando em pedir a intervenção do Pontífice em seu nome.

O bispo Abouna declarou:

“É provável que os bispos se reúnam com o Papa para rogar-lhe que peça democracia para o Iraque”. Assegurou que uma intervenção do Papa aumentaria a pressão após a reunião de agosto do Santo Padre com o ministro de Exteriores Hoshyar Zebari, na qual pediu que o projeto da Constituição respeitasse os direitos religiosos.

O bispo Abouna constatou:

“Buscamos liberdade; o Governo deve escutar-nos, porque, de outro modo, o país será como uma ditadura”. O prelado afirmou que sua opinião era reflexo das preocupações dos fiéis e que muitos deles estavam muito atemorizados a respeito de participar do referendo e que se sentiam impotentes.

E acrescentou:

“Continuo tendo esperança que se emende a Constituição. O documento atual ainda não é o definitivo”. O problema reside em uma contradição fundamental que, segundo o bispo, traz a Constituição: os artigos n.º 2.1 (b) e n.º 2.2. defendem os direitos de liberdade e direitos religiosos, mas o artigo n.º 2.1 (a) diz:

“Não se pode aprovar nenhuma lei que entre em contradição com as leis do islã”.

Zenit


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