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LÍBANO: 11/05/2005
Violência
Dois mortos no atentado contra a rádio católica do Patriarcado Maronita

Dois mortos e cerca de trinta feridos foram resultado na sexta-feira pela tarde na cidade de Jounieh -de maioria cristã, a 20 quilômetros ao norte de Beirute (Líbano)-da explosão que destruiu a sede da rádio católica do Patriarcado dos Maronitas (“A Voz da Caridade”) e a antiga igreja de São João Apóstolo. “Penso que foi atacada direta e intencionalmente porque” durante toda a sexta-feira “A Voz da Caridade” foi solidária com os familiares dos detidos nos cárceres sírios em Damasco”, expressou em “Rádio Vaticano” o bispo de Jbeil dos Maronitas, Dom Béchara Raï.

Os “familiares denunciaram as atrocidades das prisões damascenas” e “o que viram”; “penso que os que foram prejudicados na Síria ou no Líbano e seus aliados organizaram este atentado para destruir esta voz não só da caridade, mas também da verdade e do homem”, explicou. Para o diretor-geral de “A Voz da Caridade” -o padre Fadi Tabt, missionário maronita-, “este crime é uma ofensa a Deus, ao homem e à sociedade libanesa. Pura manifestação de ódio”, cita “AsiaNews”.

O artefato explosivo foi colocado em uma casa abandonada perto da única rádio cristã do Líbano. Mas, pouco depois de sua destruição, foram reiniciadas as transmissões desde outra sede. A Igreja de São João Apóstolo ficou devastada quase por completo; seu histórico altar e o quadro do Apóstolo eram obras de valor artístico nacional. Desde que em 14 de fevereiro passado foi assassinado o ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, quatro bombas explodiram nas zonas cristãs do Líbano, matando três pessoas e ferindo umas quarenta.

Desde essa data, as forças de oposição cristãs, sunitas e drusas se uniram para pedir o afastamento da presença militar síria e a queda do governo, considerado próximo a Damasco. Com a pressão do Conselho de Segurança da ONU, os últimos soldados regressaram à Síria em 30 de abril. Acrescenta a agência do Pontifício Instituto de Missões que a população libanesa condenou unidada este ataque, também porque a rádio nunca havia sido tachada de fanatismo; e mais, de acordo com muçulmanos do país, é um instrumento de diálogo inter-religioso.

Os danos foram avaliados em 15 milhões de dólares americanos. Como explicou Dom Raï à “Rádio Vaticano”, em “A Voz da Caridade” se produzem programas em árabe, assim como em inglês e francês para os asiáticos que trabalham no Líbano. A rádio atacada oferece não só “notícias relativas a todas as Igrejas e a toda a vida do país e do mundo árabe, mas também está aberta às demais religiões e às outras comunidades”, sublinhou o prelado.

Todas as tardes na emissora no Líbano se pode ouvir também o noticiário da emissora pontifícia e se transmitem todas as celebrações pontifícias. “Todo o povo é solidário com esta rádio”, reconheceu. E confirmou que a comunidade católica fez um chamado ao presidente da República e ao primeiro-ministro para iniciar a reconstrução. “Em qualquer caso, se eles não o fazem, haverá muitos particulares para fazê-lo. Os libaneses estão acostumados.

Destrói-se hoje, amanhã se reconstrói”, apontou. O país sofreu quinze devastadores anos de guerra civil até 1991. Em torno de 40% dos menos de quatro milhões de habitantes do Líbano são cristãos, em sua maioria católicos de rito maronita. A maioria da população é muçulmana.

Zenit


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