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MUNDO: 01/06/2005
Crianças
Crianças que sofrem, crianças
que morrem
Segundo um relatório das Nações
Unidas, nos últimos dez anos, morreram nas guerras dois milhões
de crianças e quatro milhões ficaram gravemente mutiladas.
São números alarmantes que demonstram uma autêntica
“matança de inocentes”, mesmo quando essas vítimas
são obrigadas a tornar-se carrascos. No dia 1 de Junho celebra-se
o Dia Mundial da Criança. Um estudo da agência missionária
Fides, do Vaticano, apresenta um conjunto de dados sobre a situação
atual da infância em nível mundial.
Crianças-Soldado
São as crianças que combatem em três
quartos dos conflitos no mundo. São mais de 300 mil jovens entre
os sete e 17 anos que estão atualmente empenhados em 36 conflitos
sangrentos, 12 dos quais se travam na África. É uma experiência
de morte que as crianças realizam por causa de adultos sem escrúpulos,
que as recrutam com violência e chantagem para viver experiências
traumatizantes.
Muitas dessas histórias começam depois de as crianças
terem ficado órfãs por causa da guerra.
Outras vezes, são seqüestradas dentro das
suas famílias, são recrutadas na estrada ou ameaçadas.
Muitas vezes são castigadas, ameaçadas de morte, drogadas,
obrigadas a transformarem-se em delatores, levadas a cometer ações
de violência contra pessoas da sua própria aldeia para que
não oponham resistência aos chefes desses mesmos exércitos
fora da lei.
Também são “crianças em guerra”
as que são utilizadas para o trabalho brutal e desumano de abrir
percursos seguros em zonas minadas. Caminhando à frente das tropas,
as crianças eliminam, com sua própria morte, o perigo para
quem vem atrás. Uma mina a menos significa uma criança morta
ou, no melhor dos casos - por assim dizer -, mutilada para sempre. O fato
de uma criança aprender a manusear com agilidade uma arma leve,
tornar-se um assassino e habituar-se a uma vida de guerrilheiro, não
acaba em nenhum modo com as responsabilidades morais dos adultos que a
obrigaram a levar este tipo de vida, acabando com qualquer possibilidade
de uma futura reinserção na sociedade da qual foi retirada.
Diante deste fenômeno que, segundo os especialistas
militares, não tende a diminuir, mas que parece destinado a aumentar
nos próximos anos, a ONU e muitas organizações de
defesa dos direitos do homem estão a mobilizar-se para impor sanções,
também de ordem comercial, aos países que não respeitem
as convenções internacionais de defesa dos direitos e da
dignidade da infância (a partir da Convenção dos Direitos
da Infância de 1989).
Mesmo que em diversos países seja proibido que
uma criança combata antes dos 15 anos de idade, muitas associações
humanitárias lutam para que o limite de idade passe a ser, pelo
menos, de 18 anos. De fato, isto significaria, não apenas a proteção
para um número muito mais alto de menores, mas bloquearia a proliferação
de armas leves e advertiria os países envolvidos no dramático
problema das crianças-soldado.
Fato que confirma a consolidada certeza de que a violência
não tem bandeiras, mas somente uma única cor: a cor do sangue.
Colômbia, Myanmar, Sri Lanka, Afeganistão, Somália,
Burundi e República Democrática do Congo utilizam 150 mil
crianças-soldado. Mas o problema está muito mais difundido
e, segundo algumas fontes, diz respeito a três quartos das guerras
atualmente em curso no planeta.
Fome
Oitocentos milhões de pessoas no mundo são
cronicamente sub-alimentadas e, cada noite, 200 milhões de crianças
com menos de cinco anos vão dormir com o estômago faminto.
Este número aumenta durante os períodos de escassez alimentar
e em tempos de penúria ou desordens sociais. Segundo algumas estimativas,
a má nutrição é um fator determinante para
a morte de 13 milhões de crianças que não chegam
aos cinco anos de idade.
Em 25 países do mundo, mais de 15 por cento das
crianças morrem antes de chegarem aos cinco anos de idade. As causas
principais desta terrível “matança de inocentes”
são: a diarréia, o sarampo, o tétano, a pneumonia.
Ao fim e ao cabo, doenças curáveis com remédios genéricos,
de baixo custo!… Mas quando faltam as formas mais elementares de
higiene, que esperança há para estes pequenos?
De fato, continua alta também a mortalidade neonatal
em muitos países do Sul do mundo; e calcula-se que cerca de 20
milhões de crianças morrem anualmente pouco antes do nascimento,
por má nutrição da mãe durante a gravidez.
Aids
São as crianças e os adolescentes as maiores
vítimas da Aids: só no ano 2000, pelo menos 600 mil crianças
com menos de 14 anos contraíram o vírus do HIV; e, em 2002,
mais de 4,3 milhões de pessoas morreram de Aids. Este número
- diz a Unicef - inclui meio milhão de crianças. As crianças
infectadas são cerca de um milhão e meio, enquanto que dez
milhões de adolescentes, pelo menos um terço dos atingidos
pelo vírus, têm entre 15 e 20 anos de idade.
Cada dia, duas mil crianças menores de 15 anos
tornam-se soropositivos; há muitas que já nascem doentes,
contagiadas pela mãe durante a gravidez ou no momento do parto.
Nenhuma outra região no mundo foi atingida tão duramente
como os países da África subsaariana, onde se encontram
três quartos da população doente. Também é
alto o número de órfãos da Aids: cerca de 13 milhões,
dos quais mais de dez têm menos de 14 anos, e quase todos são
africanos. As projeções para 2010 são alarmantes:
serão 20 milhões as crianças africanas com menos
de 14 anos que terão perdido um dos pais ou mesmo os dois.
Educação
Negada
A educação é um direito fundamental.
Mesmo assim, hoje no mundo, 121 milhões de crianças não
gozam do direito a uma educação básica, porque nos
seus países a escola ainda não é obrigatória,
gratuita e acessível a todos. São principalmente as meninas
a pagarem o preço da falta de instrução, porque a
maioria das exclusões refere-se ao sexo feminino: 65 milhões,
enquanto os meninos são 56 milhões.
Mas estamos apenas perante números aproximados,
uma vez que alguns países não são capazes de calcular
a população escolar, já que não há
registros, por circunstâncias ligadas à guerra, ou porque
se trata de crianças que vivem em estado de abandono. Outra causa
da falta de escolarização das crianças é o
mercado do trabalho infantil, que recruta, a baixo custo, pequenos operários
que com baixos salários, mantêm toda a família.
Outras vezes, trata-se de meninas vítimas de tráfico
e exploração, ou empregadas em suas próprias casas,
na assistência a seus pequenos irmãos, ou anciãos
e doentes.
Tráfico
Em cada ano, no mundo, mais de um milhão de crianças
são vítimas do tráfico de seres humanos. O relatório
do Unicef “Stop the traffic” evidencia o fenômeno dos
criminosos da exploração infantil, que promovem a transferência
dos menores dos países em desenvolvimento (África Central
e Ocidental e sudeste asiático) para as regiões de bem--estar
dos países ocidentais. São os escravos do novo milênio
e são explorados pela indústria do sexo, como mão-de-obra
de baixo custo ou como domésticos.
As mais felizes podem ser adotadas, mas não faltam
os casos de menores que desaparecem misteriosamente e são assassinados
para fornecer órgãos para transplante através de
canais ilegais. O capítulo da “exploração sexual”
é um dos mais dolorosos. A exploração sexual com
fins lucrativos tem muitas facetas.
Na Tailândia, um estudo sobre a economia ilegal
revelou que, de 1993 a 1995, a prostituição representou
cerca de dez a 14 por cento do Produto Interno Bruto e calcula-se que
cerca de um terço das mulheres tailandesas envolvidas no mercado
da prostituição seja menores de idade.
A convenção dos Direitos da Infância,
adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas,
em 20 de Novembro de 1989, condena a exploração das crianças
trabalhadoras por parte de adultos sem escrúpulos.
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