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REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA: 14/09/2005
Problema Sociais
A maior parte dos centro-africanos vive na
indigência absoluta
“Um alarme um pouco excessivo, mesmo que, sem dúvida,
as chuvas tenham provocado graves danos”. Assim, fontes locais comentam
de Bangui, capital da República Centro-africana, os apelos lançados
pelas organizações humanitárias internacionais, para
enviar ajudas ao país africano, atingido nas últimas semanas
por fortes chuvas que provocaram inundações, especialmente
em Bangui. Em particular, os responsáveis da Cruz Vermelha no país
declaram-se insatisfeitos com as ajudas insuficientes provenientes do
exterior.
Segundo a Cruz Vermelha local, cerca de 23 mil pessoas
foram atingidas pelas inundações. Destas, 4 mil ficaram
em suas casas destruídas ou encontraram um alojamento improvisado.
Japão, França, Estados Unidos e algumas agências da
ONU destinaram fundos para as vítimas das enchentes no país.
“As chuvas recomeçaram depois de uma trégua que durou
uma semana”, referem as fontes locais.
“As chuvas das semanas passadas atingiram os bairros
da capital mais próximos ao rio. A tragédia foi agravada
pelo fato que as casas atingidas são, na realidade, barracas de
barro. A água em pouco tempo destrói tudo”. “A
verdadeira tragédia, portanto, são as condições
ordinárias de vida das pessoas”, afirmam as fontes. “A
maior parte dos centro-africanos vive em fortes condições
de indigência. É esta a verdadeira situação
insustentável que deveria mobilizar as consciências.
O verdadeiro problema é superar a cultura da emergência
para enfrentar as questões de um desenvolvimento real”. Outra
tragédia que atinge o país são as incursões
dos bandidos nas regiões da fronteira com o Chade e o Sudão.
Ao menos 15 mil centro-africanos são obrigados a refugiarem-se
no Chade para fugir das violências. “Trata-se de grupos muito
bem organizados, que atacam principalmente as caravanas de desesperados
que tentam sair do país e, uma vez no exterior, transferir-se para
a Europa”, referem fontes locais.
“Os bandidos dispõem de um serviço
de informações que lhes comunica a partida das caravanas
e suas movimentações, de modo que possam atacar de maneira
segura”. “Esses bandos são formados por pessoas que
falam árabe e se vestem com a roupa típica dos beduínos.
Pensa-se, portanto, que sejam pessoas provenientes do Sudão e do
Chade”. O país está saindo com dificuldades de um
período turbulento, depois da guerra civil de 2002-2003.
Depois de meses de confrontos, em 15 de março
de 2003 o ex-chefe de Estado maior, François Bozizé, depôs
o Presidente Ange-Félix Patassé, que se refugiou no exterior.
Depois da formação de um governo provisório de unidade
nacional, Bozizé foi reconhecido pela comunidade internacional
como Presidente ad interim da República Centro-africana. Bozizé
se comprometeu a convocar eleições livres antes da metade
de 2005.
Fides
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